Comentário de Mercado

SOJA – Os contratos futuros negociados com soja em Chicago operam em leve baixa, em 13,82/março, neste momento manhã de terça-feira.
– O pregão de ontem foi marcado por perdas acentuadas, depois que a Suprema Corte dos EUA resolveu manter em níveis baixos a mistura de biocombustíveis na gasolina e no diesel. Havia um pedido para aumentar os padrões de mistura, mas foi rejeitado. Com isto, depois dos fortes ganhos da semana passada, quando foi rompida a barreira dos U$ 14,00, os preços cederam 25 cents por bushel.
– O mercado também busca posicionar-se frente ao relatório de oferta e demanda de janeiro, que será apresentado amanhã, no qual o USDA irá divulgar os dados finais da produção dos EUA na última campanha. O mercado aguarda um ligeiro aumento da colheita, combinado com elevação dos estoques finais. O ponto mais esperado, no entanto, é o que o USDA vai falar sobre a produção de Brasil e Argentina.
– No médio e longo prazo, a intensidade das perdas na América do Sul é que irá direcionar o mercado.
– O USDA informou ter inspecionado o embarque de 0,91MT de soja na última semana, elevando o total da temporada para 31,6MT, ante 41,1MT do mesmo intervalo do ano passado.
– Estimativas da FecoAgro, apontam perdas superiores a R$ 14 bilhões com a cultura da soja no Rio Grande do Sul. Incluindo outros produtos, como milho e arroz, o prejuízo é estimado em quase R$ 20 bilhões. Com previsões de continuidade da estiagem, a tendência é que as perdas se avolumam nas próximas semanas.
– No Paraná, a produção de soja é estimada pelo Deral em 13,0MT, com perdas de mais de 8,0MT no comparativo com as estimativas iniciais. No oeste do estado, onde vêm ocorrendo as primeiras colheitas, relatos indicam produtividade entre 10 e 25 sacas por hectare.
– As exportações brasileiras seguem aceleradas. Na primeira semana de janeiro, foram embarcadas 0,75MT, elevando o total da estação para mais de 86,0MT, um novo recorde.
– No mercado interno, os preços foram pressionados pela queda de Chicago. O volume de negócios segue baixo em razão do aprofundamento das perdas no campo. Indicações entre R$ 175,00/176,00 no oeste do estado e entre R$ 180,00/181,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.
– Prêmios são indicados entre 60/80 no mercado spot e entre 50/55 para embarque fevereiro.

MILHO – Na CBOT, milho trabalha com ganhos de 3 pontos neste momento, cotado a U$6,03/março. Mercado segue focado no clima da América do Sul; momentaneamente, o relatório mensal de oferta e demanda, que será divulgado amanhã pelo USDA, também requer atenção dos participantes.
– Este relatório é um dos mais relevantes, pois dá números finais à produção norte-americana, a qual é estimada por analistas em leve aumento. Já, para a América do Sul, são esperados cortes na produção de milho; contudo, esta redução deve ser mais cautelosa do que, de fato, se vê no campo.
– A suprema corte norte-americana votou ontem a favor de manter níveis mais baixos na incorporação de etanol nos combustíveis, demandando assim menos milho para o setor energético.
– Segundo a AgRural, a colheita de milho no Centro-Sul brasileiro atinge 3,1% nesta semana, contra 2,4% de período equivalente no ano anterior. A produtividade é estimada bem abaixo daquela prevista inicialmente devido à intensidade da seca no PR, SC e RS. Algumas regiões já iniciaram o plantio do milho safrinha.
– De acordo com a AgroEffective, a quebra de milho no RS atinge quase 60%; em áreas irrigadas, o percentual de quebra é de 13,5%. A estimativa inicial da produção de milho no estado era de 6,1MT.
– Além das perdas, o mercado doméstico assiste ao aumento das exportações nos últimos meses. Com dezembro totalizando cerca de 3,3MT, 2021 fechou com embarques de 20,5MT. O volume é bem inferior àquele exportado em 2020, que chegou a 33,4MT, mas está bem acima das projeções que indicavam vendas externas entre 16,0/18,0MT.
– O incremente das exportações dificulta ainda mais o abastecimento interno. E o ritmo segue forte. A primeira semana de janeiro, informa a Secex, fechou com exportações de 0,7MT.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 95,00/96,00 no oeste do estado; vendedores seguem bastante recuados, avaliando o cenário e as perdas da safra de verão. Em Paranaguá, entre R$ 88,00/90,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – O dólar opera estável neste momento, na faixa de R$ 5,67. Ontem, encerrou em R$5,674 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).