Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em queda de 15 cents, a U$ 13,82/março nesta manhã de quinta-feira. O relatório de oferta e demanda de janeiro, divulgado ontem pelo USDA, acabou trazendo certo tom negativo para o mercado. Uma vez observado e absorvido o que dizem os números, os investidores voltarão a focar no clima na América do Sul.
– A produção dos EUA está definida em 120,71MT, ante 120,43MT previstas em dezembro e 114,75 da temporada anterior. Os estoques finais, esperados para o final do ciclo 2021/22, tiveram um ligeiro aumento, para 9,52MT; na estação anterior, eram de 6,99MT. As exportações seguem avaliadas em 55,79MT.
– A grande surpresa do relatório ficou por conta do tímido corte feito sobre a produção sul-americana, notadamente do Brasil. No total houve um corte de 9,5MT. A produção brasileira foi estimada em 139,0MT, corte de 5,0MT em relação a dezembro; para a Argentina, o corte foi de 3,0MT, para a 46,5MT; já, o Paraguai teve corte de 1,5MT, com produção avaliada em 8,5MT. É bem provável que novos ajustes serão realizados no relatório de fevereiro, uma vez que muitas consultorias privadas estimam as perdas na região em mais de 20,0MT.
– Os ajustes feitos na produção sul-americana tiveram reflexos no quadro global de oferta e demanda. A produção mundial está estimada em 372,56MT, ante 381,78MT de dezembro. No ano passado foram 366,23MT. Os estoques finais caem cerca de 7,0MT, para 95,2MT ante dezembro.
– As importações chinesas seguem estimadas em 100,0 MT para esta temporada; na anterior foram 99,76MT.
– Em relatório à parte, o USDA informou que os estoques de soja nos EUA em primeiro de dezembro eram de 85,7MT, ante 80,2MT da mesma data do ano anterior. O volume ficou cerca de 1,0MT acima do esperado.
– As atenções se voltam para os boletins climáticos. As projeções indicam aumento das temperaturas e sequência do tempo seco, notadamente para extensas áreas do Rio Grande do Sul e da Argentina.
– Internamente, o mercado segue travado. As indicações de preço tiveram algum recuo, com CBOT e câmbio mais baixos. O volume de negócios segue baixo em razão do aprofundamento das perdas no campo e da possibilidade de uma nova arrancada das cotações assim que avaliações mais realistas vierem a mercado. Indicações entre R$ 173,50/174,50 no oeste do estado e entre R$ 179,00/180,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.
– Prêmios são indicados entre 60/80 no mercado spot e entre 54/55 para embarque fevereiro.

MILHO – CBOT opera em leve queda neste momento, cotada a U$5,94/março. Ontem pregão encerrou com 2 pontos de queda nos principais vencimentos.
– O relatório de oferta e demanda, divulgado pelo USDA ontem, trouxe poucas novidades para o mercado. A produção de milho dos EUA teve pequeno ajuste positivo, ficando em 383,94MT, cerca de 1,5MT a mais do que a estimativa de dezembro. Os estoques também tiveram aumento, passando de 37,94MT para 39,11MT.
-Os estoques mundiais foram reduzidos em 1,5MT, previstos em 305,54 no report de dezembro e, agora, em 303,07MT.
– A produção brasileira, safra 2021/22, foi reduzida de 118,0MT para 115,0MT, mas as exportações seguem projetadas em 43MT. Para a safra 2020/21, o USDA indicou as exportações brasileiras em 19,5MT, aumento de 1,0MT sobre dezembro.
– A safra argentina teve leve redução, de 0,5MT, para 54,0MT; as exportações seguem previstas em 39,0MT.
– Em suma, foi um relatório bastante neutro, deu números finais à safra dos EUA e trouxe poucos cortes nas projeções para a safra sul-americana. Os olhares do mundo todo voltarão a acompanhar o clima e o andamento da safra do Cone Sul.
– Em relatório separado, o USDA informou que os estoques de milho nos EUA em primeiro de dezembro eram de 295,8MT, ante 287,7MTda mesma data do ano anterior. A avaliação ficou cerca de 1,5MT acima do esperado pelo mercado.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 95,00/96,00 no oeste do estado; vendedores seguem bastante recuados, avaliando o cenário e as perdas da safra de verão. Em Paranaguá, entre R$ 88,00/90,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – O dólar opera em alta neste momento, a R$ 5,54. Ontem, encerrou em R$5,533 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).