Comentário de Mercado

SOJA – Contratos negociados com soja nos futuros de Chicago seguem em alta nesta manhã de quinta-feira, com ganhos de 4 cents, a U$ 13,95/março. Ontem, depois de três sessões em queda, os preços tiveram uma forte arrancada, fechando com alta ao redor de 30 cents.
– O mercado internacional começa a perceber com mais clareza a real dimensão da quebra de safra na América do Sul. Existem avaliações que calculam perdas entre 12,0/15,0MT; mas, há também estimativas que chegam a 25,0/30,0MT, o que parece ser mais realista. De qualquer maneira, o tempo dirá para que lado o pêndulo irá se inclinar.
– A extensão e a profundidade dos transtornos climáticos sugerem que o mercado começa a acreditar em perdas gigantescas e, portanto, irá antecipar e precificar um forte aperto no quadro de oferta e demanda. Os estoques finais globais podem sofrer um corte de mais de 20%, caindo para abaixo de 80,0MT ao final deste ciclo.
– Outros fatores paralelos também vêm contribuindo para aumentar o interesse comprador: alta dos preços do petróleo, que podem chegar a U$ 100,00/barril ainda neste ano, e queda do dólar frente a outras moedas, que acaba favorecendo os países importadores. Questões geopolíticas, como as tensões geradas pela possibilidade de a Rússia invadir a Ucrânia também dão suporte às cotações das commodities.
– As recentes chuvas, muito benéficas, podem contribuir para estancar as perdas na Argentina. A qualidade das lavouras caiu drasticamente entre 30 de dezembro e 15 de janeiro. No final de dezembro os índices eram: 56% bom/excelente; 36%, regular e 8%, ruim/péssimo; já, em meados de janeiro eram, respectivamente, 31%, 40% e 29%.
– Internamente, em termos de negócios, o mercado brasileiro segue bastante travado; porém, os preços vão ganhando terreno diante da firmeza da CBOT e dos prêmios. O câmbio vem limitando as indicações. O recuo dos produtores é justificado pelo aprofundamento das perdas e pelas expectativas de preços francamente em alta.
– Indicações entre R$ 174,50/175,50 no oeste do estado e entre R$ 179,00/180,00 em Ponta Grossa / Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Prêmios são negociados entre 65/75 para embarque em fevereiro.

MILHO – CBOT opera em leve queda, cotada a U$6,08/março. Ontem, mercado fechou com 11 pontos positivos, alta de quase 2%.
– Fatores que vêm sustentando o mercado e merecem atenção: queda do dólar, o que torna o produto norte-americano mais competitivo internacionalmente; alta do petróleo; quebra de safra na América do Sul; boa demanda, sobretudo com recordes de importação por parte da China e tensões geopolíticas no Leste Europeu.
– Na Argentina, a qualidade das lavouras de milho vem caindo semana após semana. Na virada do ano, as áreas tidas como boas/excelentes eram estimadas em 58%. Nos dois levantamentos feitos em janeiro, nos dias 6 e 13, o percentual declinou para 40% e, depois, para 23%. Até a última semana, 87% do milho estava semeado.
– Levantamento do DERAL indica que 33% das lavouras de milho no estado se encontram em boas condições; 39%, regulares e 28%, ruins. Dois por cento se encontram em fase vegetativa, 13% em polinização, 51% em enchimento de grãos, 34% em maturação e 1% já colhido. As piores condições são observadas na região oeste, onde entre 75/80% das áreas são consideradas ruins.
– A área de milho verão no PR é estimada em 435 mil hectares, enquanto a de safrinha é projetada em 2,5 milhões de hectares. A safra de verão representa 15% da produção no estado, enquanto a safrinha computa 85%.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 97,00/97,50 no oeste do estado; vendedores seguem bastante recuados, avaliando o cenário e as perdas da safra de verão. Em Paranaguá, entre R$ 88,00/90,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – O dólar opera em leve queda neste momento, a R$ 5,44. Ontem, encerrou em R$5,466 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).