Comentário de Mercado

SOJA – Os contratos negociados com soja voltam a operar no campo negativo (5 cents) nesta manhã de terça-feira, a U$ 13,97/março. Promessa de chuvas para extensas áreas do Cone Sul pressiona os mercados. Argentina e Rio Grande do Sul, onde o plantio é realizado mais tardiamente, podem se beneficiar com estas precipitações.
– Outro fator que pesa na formação do preço é a aversão ao risco. Investidores buscam reposicionar suas carteiras diante das incertezas criadas com a possibilidade de invasão da Ucrânia pela Rússia. Commodities são ativos de risco, por excelência. Além disto, a perspectiva de alta dos juros nos EUA fortalece o dólar e encarece os produtos negociados nesta moeda.
– De qualquer maneira, a intensidade das perdas na América do Sul continua como fator preponderante para sustentação dos preços no médio e longo prazos. Avaliações indicam que entre U$ 2,00/2,50 por bushel dos atuais preços negociados na CBOT foram promovidos pelas estimativas de perdas da produção de Brasil, Argentina e Paraguai. Os estoques finais mundiais podem cair para patamares inferiores a 80,0MT ao final desta temporada.
– O USDA informou ter inspecionado o embarque de 1,3MT de soja na última semana. Na temporada, o volume chega a 34,8MT, ante 45,6MT do mesmo intervalo do ciclo passado. Diante da quebra da safra sul-americana, a demanda tende a se intensificar nos EUA.
– O mercado brasileiro segue bastante travado. A retração dos produtores é justificada pelo aprofundamento das perdas no campo, pela preocupação com a entrega dos contratos negociados antecipadamente e pelas expectativas de preços bem sustentados.
– Indicações entre R$ 176,00/177,00 no oeste do estado e entre R$ 181,00/182,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Prêmios são negociados entre 65/75 para embarque em fevereiro.

MILHO – CBOT opera em leve queda, cotada a U$6,20/março; ontem, fechou com 4 pontos positivos. As cotações atingiram o maior patamar em seis meses.
– A ameaça de invasão da Rússia na Ucrânia mexe com mercados globais, especialmente com as commodities. A Ucrânia é grande produtora e exportadora de alimentos, tendo exportado 36,1MT de grãos na temporada 2021/22, sendo 16,6MT de trigo, 13,7MT de milho e 5,4MT de cevada. Na temporada anterior, os volumes exportados foram, respectivamente, 16,6MT, 23,1MT e 4,2MT.
– Em boa medida, trigo e milho são substitutos na produção de rações. As tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia contribuem para valorização destes produtos. Geralmente, quando o preço de um destes produtos está em alta, acaba puxando para cima as cotações do outro – e vice-versa.
– O USDA informou ter inspecionado o embarque de 1,12Mt de milho na última semana, elevando o total da estação para 16,4MT, contra 18,9MT do mesmo período do ciclo passado.
– De acordo com a SECEX, até agora, em janeiro, foram exportadas 1,74MT de milho brasileiro. A projeção do Line-up de navios indica que o mês pode fechar com 2,7MT. A temporada tende a somar mais de 21,0MT, ante uma expectativa de algo entre 16,0/17,0MT.
– O plantio de milho safrinha atinge 2,4% na região Centro-Sul do Brasil. A área está prevista em 14,56 milhões de hectares. O levantamento é da agência Safras & Mercado. Em período equivalente do ano anterior, o percentual plantado era de 1,2%, de uma área de 14,40MH.
– Os trabalhos de plantio de safrinha alcançam 3,9% no Mato Grosso, 3,1% no Paraná e 1,1% no Mato Grosso do Sul.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 97,50/98,50 no oeste do estado; vendedores seguem bastante recuados, avaliando o cenário e as perdas da safra de verão; em Paranaguá, entre R$ 88,00/90,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – O dólar opera em alta neste momento, a R$ 5,52. Na última sessão, encerrou em R$ 5,506 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).