Comentário de Mercado

SOJA – Contratos futuros negociados com soja na CBOT registram estabilidade neste momento, manhã de quarta-feira, a U$ 14,06/março. Ontem houve ganhos entre 4 e 9 cents nos principais vencimentos.
– Primariamente, a sustentação dos preços segue postada na extensão das perdas no Sul do Brasil, Argentina e Paraguai, que podem chegar a 30,0MT e derrubar os estoques finais mundiais para níveis abaixo de 80,0MT ao final desta temporada.
– Porém, além das irregularidades climáticas na América do Sul, dentre outros fatores que entram na composição do preço, pode-se citar a boa demanda pela soja norte-americana, a firmeza do petróleo, a perspectiva de elevação dos juros nos EUA e as tensões geradas pela possibilidade de invasão da Ucrânia pela Rússia.
– Por outro lado, a previsão de chuvas em extensas áreas do Sul do Brasil e Argentina, embora estejam chegando muito tarde, acabam limitando os ganhos, pois podem favorecer as lavouras semeadas a partir de fins de novembro e dezembro.
– Levantamento da FecoAgro indica que as perdas nas lavouras de soja e milho no Rio Grande do Sul chegam a R$ 36,14 bilhões. Na soja, a quebra é estimada em cerca de 10,0MT (49%) e no milho, em aproximadamente 3,8MT (70%).
– No estado do Paraná, o DERAL aponta que a colheita da safra de soja chega a 8%. As novas projeções indicam uma produção de 12,8MT, com quebra superior a 8,0MT.
– O mercado brasileiro segue bastante travado. A retração dos produtores é justificada pelo aprofundamento das perdas no campo, pela preocupação com a entrega dos contratos negociados antecipadamente e pelas expectativas de preços bem sustentados. No Paraná, onde a colheita já está em andamento, a baixa produtividade e baixa disponibilidade faz com que tradings e indústrias sigam competindo para tomar os poucos lotes que chegam ao mercado.
– Indicações entre R$ 177,00/178,00 no oeste do estado e entre R$ 181,00/182,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Prêmios são negociados entre 70/85 no mercado spot.

MILHO – Depois de sete sessões em alta, a CBOT opera em leve queda, cotada a U$6,17/março, nesta manhã de quarta-feira; ontem, fechou com leves ganhos na maioria das posições.
– Mercados internacionais se mantêm focados nos desdobramentos geopolíticos entre Rússia e Ucrânia. Como resultado, ontem o trigo fechou em alta de 17 pontos, auxiliando nas cotações do milho. A subida do petróleo também dá suporte para as cotações do cereal.
– De acordo com a CONAB, a safra de milho verão está 7,7% colhida, ante 5% colhidos até data semelhante do ano passado. Os trabalhos estão mais avançados no RS e SC; em SP e PR os trabalhos estão apenas começando.
– Já, o DERAL indica que a colheita de milho no PR atinge 8% da área de 430 mil hectares, 15% maior que a área plantada no ano passado.
– As condições das lavouras de milho no PR são: 38% boas, 38% regulares e 24% ruins. Dois por cento estão na fase vegetativa, 13% em floração, 46% em frutificação e 39% em maturação. A produção da safra verão no estado é estimada em 2,7MT, bem abaixo das 4,3MT projetadas inicialmente.
– Em outro levantamento, o Deral informa que o plantio da safrinha de milho no PR atinge 5%; a área é estimada em 2,56MH, ante 2,51MH da safrinha do ano anterior. A colheita da segunda safra é projetada em 15,1MT, 160% maior do que as 5,73MT colhidas na safrinha/21.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 97,50/98,50 no oeste do estado; vendedores seguem bastante recuados, avaliando o cenário e as perdas da safra de verão; em Paranaguá, entre R$ 88,00/90,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.

CÂMBIO – O dólar opera em leve queda neste momento, a R$ 5,42. Ontem, encerrou em R$ 5,434, com queda de 1,3% (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).