Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja seguem firmes na Bolsa de Chicago e rompem com firmeza a barreira dos U$ 16,00 por bushel. Neste momento, manhã de quinta-feira, o mercado opera em alta de 27 cents, a U$ 16,22/março. Ontem houve ganhos de 26 cents.
– O relatório de oferta e demanda, divulgado pelo USDA nesta quarta-feira, foi extremamente conservador e praticamente não teve influência na formação dos preços. Os operadores deram uma olhada nos números com ar de desconfiança e voltaram a centrar as atenções na dimensão da quebra da safra sul-americana.
– Os cortes na produção da América do Sul ficaram abaixo do esperado. A produção brasileira é prevista pelo USDA em 134,0MT, ante 139,0MT de janeiro; Argentina, com 45,0MT, contra 46,5MT e Paraguai, com 6,3MT, ante 8,5MT de janeiro.
– A produção mundial cai apenas 9,0MT em relação a janeiro, para 363,86MT; no ano passado foi de 366,23MT. Ao mesmo tempo, a previsão de consumo cai algo como 5,7MT, para 369,17MT. Os estoques finais perdem outras 2,5MT, estimados agora em 92,83MT.
– A China tem a estimativa de importações cortadas em 3,0MT, para 97,0MT – o menor volume dos últimos três ciclos. Enquanto isto, as exportações brasileiras foram cortadas em 3,5MT, para 90,5MT.
– Já, para os EUA, o USDA promoveu um pequeno corte nos estoques finais, previstos em 8,84MT; as exportações, porém, foram mantidas em 55,79MT.
– A CONAB parece trazer um quadro mais realista da safra brasileira. No quinto levantamento de safra, divulgado há pouco, a companhia estima a colheita nacional em 125,5MT, um corte de 15,0MT em relação ao mês passado, dada a gravidade da estiagem no sul do país. Na temporada anterior, a colheita ficou em 138,2MT.
– A produção do Paraná é estimada em 13,05MT, redução de 34% sobre as 19,9MT produzidas no ciclo anterior. No Rio Grande do Sul, a colheita é esperada em 13,7MT, ante 20,8MT do ano passado, quebra também na faixa de 34%. Perdas de 20% no Mato Grosso do Sul e de 11% em Santa Catarina completam o desastre deste ano.
– As exportações brasileiras para este ano estão previstas pela CONAB em 80,2MT, ante 86,1MT da última estação; o consumo interno, em 48,9MT, contra 51,8MT do ciclo passado e os estoques finais, em 2,7MT, ante 5,3MT da temporada anterior.
– Prêmios nos portos brasileiros são indicados entre 125/145 no mercado spot e entre 105/125 para março. Prêmios firmes refletem a retração do produtor, que vê a dimensão das perdas no campo já consolidadas; além disto, o produtor se mantém focado na colheita e na entrega dos contratos negociados antecipadamente.
– Indicações de compra entre R$ 195,00/197,00 no oeste do estado e entre R$ 200,00/201,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

 

MILHO – CBOT opera em alta de 8 pontos neste, cotada a U$6,55/março, neste momento. Ontem, houve ganhos entre 10 e 14 pontos nos principais vencimentos.
-O relatório de oferta e demanda, divulgado ontem pelo USDA, trouxe avaliações muito aquém do esperado pelo mercado, com cortes pouco expressivos para a safra da América do Sul. Dessa forma, o mercado internacional, que já conhece a dimensão do problema causado pela estiagem, botou pouca fé nos números do USDA e apostou em novas altas.
– PRINCIPAIS NÚMEROS DO RELATÓRIO:
– Os dados referentes aos EUA ficaram inalterados em relação a janeiro, com produção de 383,94MT, exportações de 61,6MT e estoques finais de 39,11MT;
– A produção brasileira em 2021/22 é estimada em 114,0MT, corte de 1,0MT sobre janeiro; a produção argentina permanece avaliada em 54,0MT;
– A produção mundial é estimada em 1.205,4MT, corte de 2,0MT sobre janeiro. Ao mesmo tempo, os estoques finais são previstos em 302,22MT, perda de pouco mais de 1,0MT em relação ao mês passado;
– Novos e mais agressivos ajustes, tanto para a soja quanto para o milho, deverão ser feitos no relatório de março a fim de ajustar o quadro de oferta e demanda à real situação observado no campo.
– A CONAB divulgou agora cedo o quinto levantamento de safra e projeta a safra brasileira de milho desta temporada em 112,3MT, ante 87,0MT da estação anterior. A primeira safra (verão) é projetada em 24,4MT, em linha com o volume colhido no ano passado. Já a safrinha é estimada em 86,1MT, 41% acima das 60,7MT produzidas na safrinha de 2021.
– As exportações estão previstas pela CONAB em 35,0MT, ante 20,9MT do último ano; já, o consumo interno é estimado em 76,8MT, contra 71,9MT do ciclo anterior.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 96,50/97,50 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 88,00/89,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – O dólar opera estável neste momento. Ontem, fechou em R$5,226 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).