Comentário de Mercado

SOJA – Contratos futuros negociados com soja na CBOT voltam a operar em baixa nesta manhã de terça-feira, queda de 16 cents neste momento, a U$ 15,54/março. O mercado vive um momento de correção técnica, com intensificação das vendas por parte de fundos, depois da forte alta ocorrida durante fins de janeiro e início de fevereiro.
– Além de pressão técnica, existem motivações de cunho fundamental que justificam o recuo dos preços. Uma delas se refere aos rumores de operações de washout de pelo menos cinco navios de soja brasileira. Neste caso, compradores chineses estão preferindo bancar os custos financeiros da operação diante de prêmios altos nos portos brasileiros num momento de margens de esmagamento ruins. Algumas destas operações estão sendo redirecionadas para portos norte-americanos, onde os preços estão mais acessíveis.
– A outra razão é certa melhora nas condições climáticas do sul do Brasil e na Argentina. As lavouras mais tardias tendem a se beneficiar destas chuvas para, pelo menos, estancar perdas adicionais. Porém, o gigantismo da quebra da safra sul-americana manterá suporte para os preços por um longo período. Hoje, entre U$ 3,50/ U$ 4,50 por bushel são creditados à estiagem no Cone Sul.
– Outro ponto é o alívio que vem do leste europeu com redução das tensões entre Rússia e OTAN, o que permite a continuidade das exportações de produtos da região, notadamente milho e trigo.
– O USDA informou ter inspecionado o embarque de 1,15MT de soja na última semana, elevando o total da estação para 38,8MT, ante 50,3MT do mesmo intervalo do ano passado.
– A SECEX informa que as exportações brasileiras de soja somam, até aqui, em fevereiro, 1,69MT, contra 1,10MT do mesmo intervalo do ano passado. No comparativo, os preços médios de exportação estão cerca de 30% mais altos neste início de temporada.
– Prêmios nos portos brasileiros se mantêm firmes mesmo em pleno período de colheita e são indicados entre 135/160 no mercado spot e entre 95/105 para março, refletindo a retração do produtor diante da intensidade das perdas no campo; além disto, o produtor se mantém focado na colheita e na entrega dos contratos negociados antecipadamente, bem como no plantio da safrinha de milho.
– Indicações de compra entre R$ 185,00/187,00 no oeste do estado e entre R$ 190,00/191,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Negócios pontuais para indústrias locais chegam a ter preços até R$ 5,00 por saca acima da paridade de exportação.

MILHO – CBOT opera em queda de 9 pontos, cotada a U$6,46/março, neste momento, puxado pela queda da soja e do trigo. Ontem, houve ganhos entre 4 e 5 pontos nos principais vencimentos.
– O USDA informou que foi inspecionado o embarque de 1,46MT de milho na última semana, ficando bem acima do esperado e 37% maior em relação à semana anterior. Na temporada, os embarques somam 20,1MT, ante 22,9MT do mesmo intervalo do ciclo passado.
– De acordo com a AgRural, o plantio da safrinha alcança 42% da estimativa de área em nível de Brasil, ante 31% da mesma época do ano passado. O plantio teve ritmo forte nessa última semana, com avanço de 18 pontos. A expectativa da produção de milho para esta temporada, verão e inverno, é de 110,9MT, contra 87,0MT da safra passada.
– Segundo a agência Safras & Mercado, a colheita de milho verão no Brasil chega a 28,6%, ante 22,1% da mesma data do ano anterior e média de 18% dos últimos 5 anos. Por estado, os trabalhos chegam a 61,3% no Rio Grande do Sul, 44,1% em Santa Catarina, 21,9% no Paraná, 7,2% em São Paulo, 1,3% em Goiás/Distrito Federal, 0,3% em Minas Gerais e 0,5% no Mato Grosso.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 97,00/98,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 89,00/90,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em linha neste momento, cotado a R$5,21. Ontem, fechou em R$5,219 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).