Comentário de Mercado

SOJA – Os contratos futuros negociados com soja na CBOT registram alta de 12 cents, a U$ 16,13/março, neste momento, manhã de terça-feira. Ontem, feriado nos EUA, Dia do Presidente, não houve pregão. Na semana passada, os preços subiram 2,1% e fecharam acima dos U$ 16,00 pela primeira vez desde junho do ano passado.
– O mercado reage aos ganhos observados nos contratos de milho e trigo que, por sua vez, são impulsionados pelo acirramento da crise no Leste Europeu após o reconhecimento, por parte da Rússia, da independência das províncias separatistas da Ucrânia.
– No entanto, o suporte de médio e longo prazos é pavimentado pelas acentuadas perdas de produção na América do Sul, que podem superar 30,0MT e derrubar dramaticamente os estoques finais desta temporada. Numa situação como esta, é natural que a demanda relativa aumente, dando mais força aos preços, pois entra em campo uma parcela mais acentuada de caráter especulativo.
– Os preços do petróleo também estão em alta; chegaram a ser cotados acima dos U$ 96,00 durante a madrugada, refletindo as tensões no Leste Europeu.
– As exportações brasileiras de soja somam, em fevereiro, 3,39MT e podem chegar a 5,0MT ao final do mês, o que seria um recorde para o primeiro mês da temporada. Em fevereiro do ano passado os embarques totalizaram 2,9MT.
– A colheita da safra brasileira alcança 32,9%, ante 12,4% da mesma época do ano passado e 23,2% de média histórica. O Levantamento é da consultoria Safras & Mercado, finalizado na última sexta-feira. No MT, os trabalhos estão finalizados em 67%; em GO, 40%; MS, 31%; PR, 28%; MG e BA, 17% e RS, 0,8%.
– Internamente, o ritmo de negócios segue lento. Os produtores se mantêm focados na colheita, preocupados em liquidar os contratos negociados antecipadamente, bem como no plantio do milho safrinha. As perspectivas de preços firmes pela frente é outra razão que deixa o mercado sem ritmo.
– Formação do preço doméstico é limitada pela queda do câmbio; porém, além da CBOT, os prêmios seguem firmes, cotados no spot entre 130/160, entre 120/130 para abril. Indicações de compra entre R$ 193,00/194,00 no oeste do estado e entre R$ 196,00/198,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Negócios pontuais para indústrias locais chegam a ter preços entre R$ 2,00/4,00 por saca acima da paridade de exportação.

MILHO – Após feriado nos EUA, os contratos futuros são negociados em alta de 7 a 8 cents, neste momento, a U$ 6,62/março. Na sexta-feira, mercado fechou em alta de 4 pontos nos principais vencimentos.
– A forte alta é atribuída às tensões entre Rússia e Ucrânia, podendo haver desabastecimento de trigo com embarque pelo Mar Negro. Pela mesma razão, o milho ganha força. Além disto, tensões geopolíticas acabam fortalecendo o petróleo, o que corrobora a ascensão dos preços das commodities em geral.
– De acordo com levantamento da agência Safras & Mercado, a colheita de milho, no Brasil, chega a 34,3%, contra 28,8% de mesma data da safra passada e média de 25,5%. As coletas, por estado, atingem: 66,7% no Rio Grande do Sul; 47,6% em Santa Catarina; 29,8% no Paraná; 8,9% em São Paulo; 9,7% em Goiás/Distrito Federal; 4,5% em Minas Gerais e 3% no Mato Grosso.
– Ainda, segundo Safras & Mercado, o plantio do milho safrinha chega a 38,3%. Em período equivalente no ano passado, o percentual era de 14,2% e média dos últimos 5 anos de 39,7%. Por estado, a semeadura chega a: 57,3% no Mato Grosso; 33,5% no Paraná; 26,9% no Mato Grosso do Sul; 21,6% em Goiás; 12,1% em São Paulo e 2% em Minas Gerais.
– De maneira geral, o volume ofertado vem aumentando nos últimos dias, com a aceleração da colheita, mas, também, com a chegada ao mercado de lotes ainda remanescentes da safra velha. Nos últimos dias, os preços se acomodaram e até se enfraqueceram em muitas regiões. Indicações de compra na faixa entre R$ 95,00/96,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 89,00/90,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em nova queda, cotado, neste momento, a R$5,08. Ontem, fechou em R$5,105 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).