Comentário de Mercado

SOJA – Os contratos futuros negociados com soja em Chicago operam em alta de 10 cents, a U$ 16,73/maio, neste momento, manhã de quinta-feira. O mercado, que vive dias de intensa volatilidade, respondendo ao nervosismo dos investidores, navega nos melhores patamares desde o recorde histórico de setembro de 2012, quando os preços chegaram a U$ 17,90.
– A maioria das commodities já vinha numa escalada altista em razão da sólida demanda; no caso dos produtos agrícolas, além do consumo mais agressivo, os preços seguiam em alta por causa da redução da oferta, notadamente por transtornos climáticos. A invasão da Ucrânia pela Rússia foi como gasolina na fogueira. Os preços agrícolas ganharam novos patamares diante da interrupção dos embarques de milho e trigo dos dois países envolvidos no conflito. O petróleo subiu mais de 20% nestes dias e se situa na faixa de U$ 115,00.
– As consequências do conflito para o setor agrícola ainda não estão totalmente claras. Porém, é possível concluir que haverá aumento generalizado dos preços, com sérios impactos nos custos de produção. As dificuldades no suprimento de fertilizantes e defensivos é o problema mais visível do momento. Por outro lado, a demanda pelas colheitas do Brasil se manterá mais forte do que nunca.
– O mercado doméstico se mantém com baixa movimentação, apesar da reação dos preços. De maneira geral, a preocupação está centrada na finalização da colheita e na implantação da safrinha de milho. As perspectivas seguem apontando para preços firmes. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 135/175.
– Primeiras indicações de compra entre R$ 199,00/200,00 no oeste do estado e entre R$ 206,00/207,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – Os contratos futuros na CBOT são negociados em alta de 6 cents neste momento, a U$ 7,31/maio, oscilando nos maiores níveis desde maio/21, quando atingiu U$ 7,72. Mercado segue refletindo diretamente o conflito entre Rússia e Ucrânia.
– Os dois países têm alta relevância no cenário global de alimentos. A Ucrânia produziu 42,0MT de milho nesta temporada, com exportações previstas em 33,5MT; é o quarto exportador mundial de milho, atrás de EUA, Brasil e Argentina. Já, a Rússia tem produção de 15,0MT e exportações em torno de 5,0MT. Juntos, os dois países são responsáveis por 20% das exportações globais de milho.
– No caso do trigo, a Ucrânia tem produção projetada em 33,0MT e exportações em 24,0MT. A Rússia deve produzir 76,0MT, com vendas externas de 35,0MT. Juntos, os dois países são responsáveis por 30% das exportações mundiais de trigo.
– Contudo, devido à guerra, não se sabe se estes números de produção e exportação se concretizarão. As dificuldades e até interrupção do escoamento pelos portos da região não afeta somente o mercado de milho e trigo, mas de todos os demais produtos agrícolas.
– De acordo com a agência Safras & Mercado, a colheita de milho verão no Brasil chega a 39%, contra 35,5% da mesma época do ano passado e média histórica de 31,8%. Por estado, as coletas atingem: 69,3% no Rio Grande do Sul, 55,7% em Santa Catarina, 39,7% no Paraná, 24,7% em São Paulo, 10,5% em Goiás/Distrito Federal e 7,1% em Minas Gerais.
– No mercado doméstico, o volume ofertado, que vinha aumentando nos últimos dias, pode sofrer algum revés diante da forte alta dos preços externos. O produtor poderá recuar das vendas e aguardar uma melhor avaliação do cenário, já que os preços de exportação tendem a subir.
– De qualquer maneira, as integrações se mostram bem abastecidas e as Indicações de compra estão na faixa entre R$ 96,00/97,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 91,00/93,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em R$5,08 neste momento. Ontem, fechou em R$5,108 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).