Comentário de Mercado

SOJA – Os contratos negociados com soja voltam a registrar ganhos expressivos nos futuros de Chicago, mais 25 cents, a U$16,85/maio, neste momento, manhã de segunda-feira. Ganhos de 2% se somam a alta de quase 4% da semana passada.
– A arrancada de preços da soja está associada, primeiramente, às acentuadas perdas de produção na América do Sul, que devem se situar entre 35,0MT e 40,0MT. Ultimamente, um segundo fator, que é a invasão da Rússia na Ucrânia, entrou em cena. Alguns importantes mercados paralelos estão apresentando ganhos expressivos e promovem uma segunda onda de suporte para a soja. Em Chicago, nos últimos 30 dias o trigo subiu 66%; o milho, 21% e o petróleo, 40%. Embora menos afetada pela guerra, a soja pegou carona nestes produtos e subiu 10% no mesmo período.
– Neste momento, o petróleo opera com alta de 7,5%, a U$ 125,00 por barril e o trigo, no limite de alta de 85 cents, a U$ 12,94/maio.
– As importações de soja pela China somam 13,9MT nos dois primeiros meses do ano, alta de 4,1% no comparativo com o mesmo período de 2021. Dados são da agência Reuters.
– Nesta quarta-feira o USDA irá divulgar o relatório de oferta e demanda de março. O mercado espera um novo e acentuado corte na colheita brasileira, para 128,2MT, ante 134,0MT do mês passado e 138,0MT do ano anterior. Para a Argentina é esperado redução de pelo menos 2,0MT, para 42,9MT. Os estoques finais dos EUA devem sofrer acentuada redução, para algo como 7,3MT. Enquanto isto, os estoques finais do mundo devem se situar abaixo de 90,0MT.
– A colheita da safra brasileira chega a 50,5%, ante 34,2% da mesma semana do ano passado e 41,1% de média histórica. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado. Por estado: MT, 90; GO, 71%; MS, 62%; PR, 37%; MG, 35%; BA, 27% e RS, 4%.
– Internamente, a semana começa com baixa movimentação, apesar de preços mais atrativos. De maneira geral, a preocupação está centrada na aceleração da colheita e na implantação da safrinha de milho. As perspectivas seguem apontando para preços firmes, o que deixa o mercado ainda mais largado. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 160/180.
– Primeiras indicações de compra entre R$ 202,00/203,00 no oeste do estado e entre R$ 208,00/209,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – Os contratos futuros na CBOT são negociados em alta de 15 cents neste momento, a U$ 7,70/maio, chegando ao maior patamar de preço desde 2012, quando chegou em U$ 8,40. Mercado segue tenso com o conflito entre Rússia e Ucrânia. Na última semana os preços subiram 15% na CBOT.
– Nesta quarta-feira será divulgado o relatório mensal de oferta e demanda (WASDE). A grande expectativa é para a produção sul-americana. Estes números prévios são uma média das estimativas de analistas:
* Brasil: produção de milho é esperada em 112,9MT, ante 114,0MT do relatório de fevereiro e 87,0MT da safra 2020/21;
* Argentina: produção esperada em 52,0MT, contra 54,0MT do report do mês passado e 51,5MT da safra passada;
* Mundo: Estoques finais em queda de 3,0MT em relação ao relatório do mês anterior, esperado em 299,6MT. EUA, também há tendência de queda nos estoques finais.
– A produção de milho argentino é estimada pela Bolsa de Cereais de Rosário abaixo de 48,0MT. Devido à estiagem, a produção do país deve atingir o menor nível em 10 anos. Em Rosário, uma província altamente produtora e exportadora, estimava-se, inicialmente, uma colheita de 19,2MT; contudo, após vários cortes, agora, a safra é avaliada em 12,8MT. A colheita de milho em território nacional argentino chega a 5%.
– Segundo IMEA, o plantio de milho safrinha no MT chega a 94%, contra 82,7% da semana anterior e 73% de período equivalente do ano passado.
– No mercado doméstico, o volume ofertado, que vinha aumentando nos últimos dias, pode sofrer algum revés diante da forte alta dos preços externos. O produtor poderá recuar das vendas e aguardar uma melhor avaliação do cenário, já que os preços de exportação se apresentam em forte alta em razão dos ganhos observados na CBOT.
– Em resposta às expressivas altas verificadas em Chicago, algumas tradings voltaram a prospectar volumes para atender o mercado externo. Indicações de compra na faixa entre R$ 102,00/104,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 108,00/110,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em R$5,05 neste momento. Na última sessão, fechou em R$5,078 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).