Comentário de Mercado

SOJA – Depois da reversão e queda dos preços no pregão de ontem, os contratos futuros voltam a registrar ganhos na CBOT, mais 25 cents, a U$ 16,96/maio, neste momento, manhã de quinta-feira.
– O relatório de oferta e demanda foi considerado neutro. O mercado esperava um corte expressivo na safra sul-americana, especialmente na brasileira. E isto foi feito. De acordo com o USDA, a colheita brasileira deve se situar em 127,0MT, ante 134,0MT esperadas no mês passado e diante de uma expectativa inicial de 143,0MT. Para a Argentina houve corte de 1,5MT em relação a fevereiro, com produção estimada em 43,5MT, ante 46,2MT do ano anterior.
– Nos EUA, o USDA elevou pouco mais de 1,0MT a perspectiva de exportações, para 56,9MT; ao mesmo tempo, cortou um volume similar dos estoques finais, previstos, agora, em 7,8MT.
– A produção mundial sofre uma redução de 10,0MT em relação às projeções de fevereiro, para 353,8MT. Enquanto isto, o consumo é previsto em queda de 5,5MT, para 363,7MT. O USDA fez o ajuste com a redução nas importações da China neste ciclo, que caem de 97,00 em fevereiro para 94,0MT agora. No ano passado foram 99,8MT. O restante foi ajustado com a redução dos estoques finais mundiais, que cedem 2,9MT em relação ao mês passado, para 89,9MT. No final do ciclo passado, os estoques finais do mundo eram de 101,7MT.
– O foco central do mercado continuará sendo a dimensão das perdas na América do Sul, notadamente no Brasil. Mas, as nuances da guerra no leste europeu, sobretudo as dilatadas variações do preço do petróleo, do milho e do trigo, bem como a crescente demanda pelo produto norte-americano também entram na conta.
– A CONAB acaba de divulgar o sexto levantamento de safra, prevendo a colheita de soja em 122,8MT, corte de 2,7 sobre a estimativa do mês passado. Isto representa queda de 11% sobre as 138,2MT do ano passado. A área semeada soma 40,7MH, quase 4% sobre a estação anterior. Em razão das profundas irregularidades climáticas, a produtividade cai para 50,3 scs/ha, ante 58,8 scs/ha da temporada passada.
– No mercado interno, o ritmo de negócios se mantém acomodado, mesmo diante dos novos patamares de preço. A preocupação segue centrada na aceleração da colheita, na liquidação de contratos negociados antecipadamente e na implantação da safrinha de milho, num cenário de preços firmes ao longo da estação. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 180/210.
– Indicações de compra entre R$ 201,00/203,00 no oeste do estado e entre R$ 208,00/210,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – Os contratos futuros na CBOT são negociados em alta de 12 cents neste momento, a U$ 7,46/maio. Ontem, pregão fechou com queda de 20 pontos/maio.
– Para o milho, os números do relatório de oferta e demanda vieram sem maiores surpresas, próximo do esperado por analistas e, portanto, já precificados pelo mercado.
– O mundo ficou muito atento em relação às projeções que o USDA definiria para Ucrânia e Rússia, notadamente para milho e trigo. As novas estimativas trouxeram certo alívio para o mercado. Os preços do trigo, em Chicago, depois de uma arrancada altista de cerca de 70% desde o início do ano, fecharam, ontem, no limite de baixa (menos 6,5%), a U$ 12,01/maio.
* Ucrânia: A produção de milho é avaliada em 41,9MT, ante 42MT do mês passado. As exportações, que eram previstas em 33,5MT, agora, são estimadas em 27,5MT. Já, a produção de trigo segue avaliada em 33,0MT; as exportações, porém, são estimadas em queda de 4,0MT, para 20,0MT.
* Rússia: A Rússia tem produção esperada em 15,2MT e exportações da ordem de 4,5MT, números alinhados com report passado. Em relação ao trigo, a produção da Rússia é esperada em 75,2MT, em linha com fevereiro; as exportações devem cair 3,0MT, para 32,0MT.
– Os estoque finais dos EUA foram ajustados para baixo em cerca de 2,5MT em relação ao último report, para 36,6MT; no último ciclo os estoques eram de 31,4MT e no retrasado, 48,8MT.
– A produção mundial é estimada em 1.206,1 MT, ante 1,123,3MT do ciclo passado. Os estoques finais são estimados em 300,97MT, ante 302,2MT do mês passado e 291,5MT do ano anterior.
– Para o Brasil, a avaliação do USDA segue em 114,0 MT, com exportações mantidas em 43,0MT; no último ano a produção foi de 87,0MT, com exportações de 21,0MT.
– A Argentina teve a estimativa de produção reduzida em 1,0MT, para 53,0MT, com exportações estáveis em 39,0MT;
– A Conab acaba de divulgar uma nova projeção para a safra brasileira de milho para 2021/22, totalizando 112,34MT. Para a safra verão, 24,33MT; safrinha, 86,15MT e 3º safra, 1,86MT.
– Depois da arrancada nos preços verificada nos últimos dias, compradores e vendedores se mostram mais acomodados e o mercado fica mais lento. Novos negócios no segmento externo foi a motivação para as altas apuradas desde meados da semana passada. O volume ofertado tende a ficar mais escasso, uma vez que muitos produtores preferem aguardar uma melhor avaliação do cenário diante da evolução e da grande volatilidade dos preços internacionais.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 102,00/103,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 109,00/110,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em alta, a R$ 5,04 neste momento. Ontem, fechou em R$5,011 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).