Comentário de Mercado

SOJA – Os contratos negociados com soja na Bolsa de Chicago operam estáveis neste momento, manhã de segunda-feira, a U$ 16,78/ maio. Na semana passada, o mercado registrou alta de 1,2%. Porém, desde o início do ano, os ganhos são dilatados e chegam a 25%.
– O mercado segue focado no andamento da colheita da safra sul-americana, sobretudo no Brasil, onde as irregularidades climáticas devem reduzir a produção em cerca de 25,0MT; na América do Sul, as perdas podem chegar a 35,0MT.
– Na semana passada, o relatório de oferta e demanda não trouxe maiores novidades. O mercado vinha tomando consciência das perdas expressivas no Brasil, Argentina e Paraguai e, portanto, aos poucos, foi precificando este aperto no volume de produção. Uma onda secundária de alta nos preços da soja foi promovida pela elevação dos preços do petróleo, milho e trigo – todos afetados diretamente pela guerra no leste europeu.
– A intensa pressão internacional para um cessar fogo pode resultar em algum tipo de acordo entre as partes nos próximos dias. Tudo ainda é incerto. Sabe-se, porém, que o retorno à normalidade poderá eliminar boa parte da alta de preços atribuídas ao fator bélico.
– A colheita da safra brasileira de soja chega a 60,5%, ante 45,7 da mesma data do ano passado e média de 51,6%. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado e foi divulgado na última sexta-feira. Por estado, os índices são: MT, 96%: MS, 81%; GO, 84%; PR, 59%; MG, 46%; BA, 34% e RS, 7%.
– Em levantamento divulgado na última quinta-feira, a CONAB prevê a safra brasileira em 122,8MT, corte de 2,7 sobre a estimativa de fevereiro. Isto representa queda de 11% sobre as 138,2MT do ano passado. A produtividade está prevista em 50,3 scs/ha, ante 58,8 scs/ha da temporada passada.
– No mercado interno, a primeira quinzena de março apresentou melhor movimentação, com preços historicamente altos. Porém, devido à quebra de safra, o movimento é considerado baixo quando comparado com anos anteriores. A preocupação segue centrada na colheita, na liquidação de contratos negociados antecipadamente e na implantação da safrinha de milho. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 160/190.
– Indicações de compra entre R$ 200,00/201,00 no oeste do estado e entre R$ 206,00/207,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – Os contratos futuros na CBOT são negociados em queda de 8 a 10 cents neste momento, a U$ 7,52/maio. A última sessão encerrou ganhos de 6 pontos. Na CBOT, na semana passada os preços registraram alta de 1% e, desde o início do ano, de 29%.
– A situação da guerra está fazendo com que importadores de commodities procurem mercados alternativos, sobretudo nas Américas. Nas últimas duas semanas, foi reportado vendas de pelo menos 1,2MT de milho brasileiro na exportação, num momento em que, historicamente, toda a logística está voltada para o embarque de soja.
– A Ucrânia, que é grande produtora e exportadora de milho e trigo tende a concentrar os cultivos em produtos demandados internamente, até porque deverá sentir um corte profundo nos níveis de colheita. O país deverá aumentar a produção dos diversos tipos de trigo e ervilha dentre outros, em detrimento do milho. O plantio de primavera é iniciado entre fevereiro e março. O governo está barrando ou limitando a exportação da maioria dos produtos alimentares ainda em estoque. Na temporada 2021/22, até a semana que se iniciou a guerra, a Ucrânia já havia exportado 43,0MT dos vários cereais produzidos em suas vastas áreas agricultáveis.
– Na França, um surto de gripe aviária está fazendo com que as autoridades sanitárias decidam pelo abate e eliminação de cerca de 4 milhões de animais. O surto vem ocorrendo no sul do país, local de grande produção. Além do problema sanitário, os custos de produção subiram drasticamente com a elevação dos custos da alimentação animal.
– O plantio de milho no MT atinge 97,95% de acordo com IMEA. Em período equivalente no ano anterior, o percentual era de 88,32%.
– Depois da arrancada nos preços verificada nas últimas duas semanas, compradores e vendedores se mostram mais acomodados e o mercado está mais lento. Negociações no segmento externo foi a motivação para as altas recentes, diante do expressivo aumento dos preços internacionais.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 101,00/103,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 109,00/110,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera estável, a R$ 5,05 neste momento. Na sexta-feira, fechou em R$5,053 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).