Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja chegam ao intervalo nesta manhã de terça-feira com queda de 26 cents, a U$ 16,44/maio, em meio à possibilidade de redução da demanda chinesa, que vive um intenso surto de covid-19. Ontem houve perdas entre 4 e 5 cents.
– O governo chinês determinou lockdown em diversas grandes cidades, isolando cerca de 30 milhões de pessoas. Cerca de 5 mil pessoas foram detectadas com o vírus. As autoridades sanitárias locais têm adotado medidas extremamente rigorosas desde o início da pandemia sempre que algum caso é confirmado. Desta vez, porém, há uma onda de infestações sem precedentes no país.
– A demanda por soja tem sido revisada para menos nos últimos relatórios do USDA, notadamente por causa do aumento dos preços. No caso da China, as projeções iniciais indicavam importações próximas de 100,0MT; hoje o USDA avalia que o país irá importar 94,0MT nesta temporada, ante 99,8MT da última estação. Novas revisões poderão ocorrer se, de fato, a doença voltar com força ao país.
– Na Argentina, o governo voltou a intervir no mercado ao suspender as exportações de farelo e óleo. O país é o maior exportador mundial dos dois subprodutos, com embarques anuais de 6,0MT de óleo de soja (metade do comércio mundial) e 28,0MT de farelo (cerca de 40% do comércio global). O mercado especula sobre se haverá um novo aumento dos tributos para vendas externas e que poderá atingir também o trigo e o milho. Atualmente, as “retenciones” estão na faixa entre 30% e 33%.
– E como pano fundo, o mercado segue postado nas imensas perdas de safra da América do Sul e nas nuances da guerra no leste europeu.
– No mercado interno, os preços recordes dos últimos dias vêm sofrendo certo revés, pelo menos momentaneamente. Devido à quebra de safra, a movimentação de negócios é considerada baixa quando comparada com anos anteriores. A preocupação segue centrada na colheita, na liquidação de contratos negociados antecipadamente e na implantação da safrinha de milho, até porque os preços tendem a permanecer em níveis historicamente altos. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 160/190.
– Indicações de compra entre R$ 198,00/200,00 no oeste do estado e entre R$ 203,00/205,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – Os contratos futuros na CBOT são negociados em queda de 9 a 11 cents neste momento, a U$ 7,39/maio. A última sessão fechou em queda de 14 pontos diante das perdas no mercado do petróleo e da fuga de investidores dos ativos de riscos.
– Pesa também na formação do preço, as melhores perspectivas para um acordo entre Rússia e Ucrânia, o que permitiria certa normalidade dos embarques de trigo e milho pelo Mar Negro, ativando as exportações dos dois países.
– De acordo com o USDA, as inspeções de exportação de milho norte-americano ficaram em 1,14MT na semana anterior. O mercado estimava 1,32MT. Em período semelhante no ano passado, o total embarcado foi de 2,27MT. Desde o início da temporada, iniciada em 1º de setembro/21, os EUA já embarcaram 25,9MT, ante 30,2MT do mesmo intervalo da temporada anterior.
– No Brasil, chuvas benéficas atingiram boa parte das regiões produtoras, favorecendo o desenvolvimento da safrinha de milho. Ao mesmo tempo, na Argentina há previsão de chuvas nos próximos 5 a 10 dias.
– Existe certa preocupação com a possível falta de milho para abastecimento interno até a entrada da safra de inverno, já que, com as altas dos preços internacionais, bons volumes de produto disponível estão sendo destinados à exportação. Contudo, algumas regiões poderão ter a colheita da safrinha bem mais adiantada do que em anos anteriores. Avaliações indicam que milho novo poderá estar no mercado já a partir de meados de maio.
– Depois da arrancada nos preços verificada nas últimas duas semanas, compradores e vendedores se mostram mais acomodados e o mercado está mais lento. Negociações no segmento externo foi a motivação para as altas recentes, diante do expressivo aumento dos preços na Bolsa de Chicago.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 101,00/103,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 108,00/110,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.

CÂMBIO – Dólar opera estável, a R$ 5,12 neste momento. Ontem fechou em R$5,119 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).