Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja chegam ao intervalo desta manhã de quinta-feira em alta de 10 cents, a U$ 16,60/maio, depois de perdas deste mesmo patamar no pregão de ontem. Fundos e investidores procuram reposicionar suas carteiras na expectativa de que o governo argentino eleve os impostos de exportação de farelo e óleo, o que tornaria o produto local menos competitivo no mercado internacional e daria suporte aos preços.
– A Argentina é a maior exportadora global dos dois principais subprodutos da soja, com embarques anuais de 6,0MT de óleo de soja, que corresponde à metade do comércio mundial; no farelo são exportadas 28,0MT, o que equivale a 40% do volume negociado no mercado internacional.
– A formação dos preços da soja sofre menos interferência do conflito no leste europeu do que milho e trigo. Ucrânia e Rússia são grandes exportadores destes dois últimos produtos. As exportações são realizadas pelos portos do Mar Negro e Mar de Azov, que estão interditados e sob controle russo.
– Analistas avaliam que as perdas de produção na América do Sul estão precificadas no atual patamar de preços. A extensão de área, o ritmo do plantio e as condições da safra norte-americana entram em cena com potencial para redefinir os rumos do mercado. O fato é que os preços estão extremamente sensíveis a quaisquer problemas de clima que afetarem as áreas de cultivos dos EUA.
– O Brasil importou 39,2MT de fertilizantes em 2021, 19% a mais do que em 2020, quando forma trazidas do exterior 32,8MT. Segundo a Associação dos Distribuidores, foram utilizadas 45,8MT, 13% a mais do que na temporada anterior (40,5MT). A produção nacional foi de 6,9MT.
– A colheita da safra brasileira chega 63,1%, ante 48,6% da mesma data do ano passado. O levantamento é da Conab. No MT os trabalhos estão finalizados em 95,4%, contra 81,7% de um ano atrás, com produtividade de 59 scs/ha.
– Mercado interno segue lento, com baixo volume de negócios, refletindo a redução drástica de produção. As indicações de compra estão mais largadas nestes últimos dias. Além de certa acomodação dos preços internacionais, o câmbio voltou a ficar mais fraco com um novo aumento da taxa Selic, agora definida em 11,75%. A preocupação dos produtores segue centrada na finalização da colheita, na liquidação de contratos negociados antecipadamente e na implantação da safrinha de milho. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 165/200.
– Indicações de compra entre R$ 198,00/200,00 no oeste do estado; entre R$ 204,50/206,00 em Paranaguá e entre R$ 205,00/206,00 em Ponta Grossa – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Em razão da quebra de safra, em muitas regiões, sobretudo no Sul do país, as indústrias estão com preços mais competitivos do que as tradings exportadoras.

MILHO – Os contratos futuros na CBOT são negociados com ganhos de 9 cents neste momento, a U$ 7,39/maio. O pregão anterior encerrou com baixa acentuada, de 28 pontos, por diversos fatores negativos: isolamento de diversas cidades chinesas diante de um novo surto de covid-19, o que tende a reduzir as importações; nos EUA, fraca demanda para a produção de etanol; aumento da oferta de petróleo nos EUA, cuja produção ficou acima do esperado; e aparente avanço das negociações para um cessar fogo no conflito entre Rússia e Ucrânia.
– Na Ásia, os preços de milho tiveram queda histórica diante dos temores provocados pelo ressurgimento de um elevado número de casos de covid. Isto tende a desacelerar o ritmo de crescimento da economia chinesa, que é a maior importadora do mundo em petróleo, minério de ferro e soja. O governo decretou um lockdown envolvendo mais de 30 milhões de pessoas em importantes províncias, afetando até mesmo Xangai, a maior cidade do país.
– De acordo com AgRural, o plantio do milho safrinha chega a 94% em nível Brasil, ante 74% da mesma época do ano anterior. A safra verão é projetada em 24,3MT; a safrinha, em 86,1MT e a terceira safra, em 1,8MT. A colheita total está prevista em 112,3MT.
– Depois da arrancada nos preços verificada nas últimas duas semanas, compradores e vendedores se mostram mais acomodados e o mercado está mais lento. A retomada de exportações vinha liderando a formação do preço doméstico. A recente queda dos preços internacionais acabou limitando as negociações ao reduzir as indicações de compra.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 100,00/101,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 107,00/108,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.

CÂMBIO – Dólar opera em linha com o fechamento anterior, a R$ 5,09. Ontem fechou em R$5,092. Gastos públicos em alta e aumento das taxas de juros nos EUA podem dar suporte ao dólar; por outro lado, o COPOM definiu aumento de um ponto percentual na taxa Selic, para 11,75%, com indicativo de que novos aumentos estão no radar para as próximas reuniões. (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).