Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja registram ganhos nesta manhã de segunda-feira nos futuros de Chicago, mais 15 cents, a U$ 16,83/maio, em meio a altas expressivas verificadas nos mercados paralelos como petróleo, milho e trigo. Entre ganhos e perdas, na semana passada os preços apresentaram poucas alterações. Porém, desde o início do ano, a alta chega a 25%.
– A intensa quebra da safra sul-americana, que pode superar 35,0MT, bem como o aumento da demanda relativa, seguem dando sustentação para os preços. A oferta mundial cai cerca de 10% neste, para algo como 354,0MT, no comparativo com as estimativas iniciais. O consumo também cede, mas não na mesma proporção, para 364,0MT. Consumo maior do que a produção implica em corte nos estoques finais e suporte inequívoco para os preços. Ao final do ano anterior, os estoques finais globais eram de 102,0MT; para o final da atual temporada estão projetados em 90,0MT.
– Além disto, a guerra no leste europeu, ao impulsionar os preços do trigo e do milho emprestam apoio indireto à soja. Aos poucos, porém, as atenções vão se voltar para o plantio e condução da safra norte-americana. Neste dia 31 de março, o USDA irá anunciar a primeira intenção de plantio, com projeções a partir de pesquisa realizada junto aos produtores. A área deverá crescer pelo menos 3%. Dado o aperto no quadro de oferta e demanda, os preços estarão altamente sensíveis às variações do clima.
– Na Argentina, o governo elevou as “retencionses” sobre as exportações de farelo e óleo em dois pontos percentuais, para 33% – mesmo nível da soja em grãos. Segundo o governo, a medida vai perdurar até o final deste ano e representa aumento da disponibilidade interna, combinado com maior custo nas vendas para o exterior. O país é o maior exportador mundial dos dois subprodutos, com embarques anuais de 6,0MT de óleo de soja (metade do comércio mundial) e 28,0MT de farelo (cerca de 40% do comércio global).
– A colheita da safra brasileira de soja chega 69.9%, dez pontos percentuais à frente da mesma data do ano passado. A média para esta época é de 61,6%. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado. Nos principais estados os índices são: MT, 99%; MS, 96%; GO, 91%: MG, 78%; PR, 72%; BA, 43% e RS, 10%.
– Mercado interno segue lento, com baixo volume de negócios, refletindo a redução drástica de produção. Os preços internacionais voltam a reagir, depois de certa calma nos últimos dias; o câmbio, porém, se mantém acomodado, diante do aumento do ingresso de recursos externos pela via das exportações e do aumento da taxa Selic, agora definida em 11,75%. A preocupação dos produtores segue centrada na finalização da colheita, na liquidação de contratos negociados antecipadamente e na implantação da safrinha de milho. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 170/200.
– Indicações de compra entre R$ 201,00/202,00 no oeste do estado; entre R$ 206,00/207,00 em Paranaguá e entre R$ 205,00/206,00 em Ponta Grossa – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Em razão da quebra de safra, em muitas regiões do Sul do país, as indústrias estão com preços mais competitivos do que as tradings exportadoras.

MILHO – Os contratos futuros na CBOT são negociados com ganhos de 9 a 10 cents neste momento, a U$ 7,51/maio. O pregão anterior encerrou com queda de 12 pontos, com perdas de 2% na semana. Desde o início do ano, porém, os ganhos são da ordem de 9%.
– O mercado se firma, acompanhando os sólidos ganhos do petróleo, que, neste momento, sobe mais de 4,5%, cotado a U$112,65/barril. Analistas avaliam que a guerra entre Rússia e Ucrânia possa estar mais longe de um cessar-fogo do que se espera.
– Segundo a Reuters, nos dois primeiros meses deste ano a China importou 4,68MT de milho. Em janeiro foram 2,75MT e em fevereiro, 1,93MT.
– Em nota, o ministro da agricultura da Ucrânia comentou que foi iniciado o plantio de milho no país; porém, devido ao conflito, os produtores estão limitando os trabalhos de campo. Com a redução da área, o governo está incentivando o semeio de cultivares com foco em ervilha e trigo, produtos mais consumidos internamente. A Ucrânia vinha exportando anualmente cerca de 30,0MT de milho e 22,0MT de trigo.
– Com a autorização para importar milho GMO, a Espanha passou a ser grande compradora do produto nos últimos dias.
– Depois da arrancada nos preços verificada nas últimas duas semanas, compradores e vendedores se mostram mais acomodados e o mercado está mais lento. A retomada de exportações vinha liderando a formação do preço doméstico. A recente queda dos preços internacionais, juntamente com a acomodação do câmbio, acabou limitando as negociações ao reduzir as indicações de compra. Melhora do clima na condução da safrinha também limita a formação do preço.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 99,00/101,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 107,00/108,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em linha com o fechamento anterior, a R$ 5,01. Na sexta-feira fechou em R$5,017. Gastos públicos em alta e aumento das taxas de juros nos EUA podem dar suporte ao dólar no decorrer. Porém, no curto prazo, a nova alta de juros no Brasil, para 11,75%, bem como a perspectiva de outro aumento na próxima reunião do COPOM dão firmeza ao Real. (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).