Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja voltam a operar em alta nesta manhã de terça-feira, mais 8 cents, a U$ 16,99/maio. Na máxima da madrugada, os preços chegaram a U$ 17,20/maio. Ontem houve ganhos entre 23 e 26 cents nos principais vencimentos.
– O mercado segue suportado pelas perdas acentuadas na América do Sul. Computada a quebra no Brasil, Argentina e Paraguai, os participantes voltam as atenções para os movimentos da próxima safra norte-americana: tamanho da área (neste dia 31 o USDA irá apresentar a primeira intenção de plantio), ritmo dos trabalhos de campo e comportamento climático poderá influenciar de forma decisiva o rumo dos preços.
-Além disto, os desdobramentos do conflito no leste europeu, segue no radar. Embora a guerra não tenha um efeito direto sobre os preços da soja, existem efeitos indiretos em razão do comportamento volátil do milho, trigo, petróleo e óleo de girassol, bem como dos transtornos logísticos no que se refere aos embarques pelo Mar Negro e Mar de Azov.
– A última safra de soja da Rússia e Ucrânia rendeu, na somatória dos dois países, 8,5MT, com exportações de 2,5MT e importações de 1,6MT. Em termos globais, a representatividade é baixa. Já, em milho e trigo, os dois países têm uma importância capaz de abalar os mercados. No conjunto, produzem quase 70,0MT de milho e 110,0MT de trigo, com exportações de cerca de 35,0MT de milho e 60,0MT de trigo.
– Nos dois primeiros dois meses deste ano, a China importou 10,1MT de soja dos EUA, ante 11,9MT do mesmo período do ano passado, queda de 16%. Já, do Brasil, o volume somou 3,5MT, contra 1,03Mt do primeiro bimestre do ano passado. Os dados são do serviço alfandegário chinês. Daqui para frente, até setembro, os embarques ficarão concentrados no Brasil.
– Segundo a consultoria Safras& Mercado, as importações chinesas devem totalizar 100,0MT neste ano, com a retomada da produção de suínos e maior profissionalismo nas atividades agropecuárias do país. O USDA vem reduzindo as compras chinesas; no último relatório de oferta e demanda, a previsão caiu para 94,0MT.
– Mercado interno segue lento, com baixo volume de negócios, refletindo a redução drástica de produção; mas, refletindo também a queda nas indicações de compra. Os preços internacionais voltam a reagir; o câmbio, porém, se mantém acomodado e pressionado, diante do aumento do ingresso de recursos externos pela via das exportações e pela entrada de recursos em busca de melhor remuneração diante do aumento da taxa Selic. A preocupação dos produtores segue centrada na finalização da colheita, na liquidação de contratos negociados antecipadamente e na implantação da safrinha de milho. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 160/180.
– Indicações de compra entre R$ 196,00/197,00 no oeste do estado; entre R$ 202,00/204,00 em Paranaguá e entre R$ 201,00/202,00 em Ponta Grossa – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Em razão da quebra de safra, em muitas regiões do Sul do país, as indústrias seguem indicando preços mais atrativos do que as tradings exportadoras.

MILHO – Os contratos futuros negociados na CBOT chegam ao intervalo desta manhã de terça-feira com preços estáveis, a U$ 7,55/maio. O pregão anterior encerrou com alta de 14 pontos devido a continuidade do conflito no Leste Europeu, com forte alta do trigo (mais de 3%) e guinada altista do petróleo, com ganhos de 6,6%.
– Na última semana, as inspeções de exportação de milho norte-americano atingiram 1,46MT, ficando ligeiramente acima da expectativa do mercado. No acumulado da temporada, iniciada em 1º de setembro, o volume embarcado chega a 27,4MT, ante 32,2MT do mesmo intervalo da safra anterior.
– De acordo com a APK Inform, a Ucrânia iniciou nesta semana exortações de milho pelas fronteiras ocidentais do país, já que os portos do Sul (Mar Negro) estão bloqueados. A exportação terrestre pode dar vazão a 0,6MT por mês, o que significa de 10% a 15% da capacidade de exportação pelos portos. Desta forma, os altos estoques de milho começam a ser vendidos, proporcionando a compra de combustíveis, sementes e fertilizantes para dar início ao plantio de primavera.
– Segundo a agência Safras & Mercado, o plantio de safrinha brasileira chega a 94,4%, contra 86,1% do mesmo período no ano passado e média de 92,6%. Por estado, os trabalhos estão com os seguintes percentuais: MT, 100%; GO, 94,8%; MS, 92,7%; PR, 90,4%; SP, 90,2% e MG, 69,8%.
– No mercado interno, as negociações se apresentam mais calmas, com preços acomodados, depois da arrancada de preços verificada no início de março. A retomada de exportações liderou a formação do preço doméstico naquele momento. Melhora do clima na condução da safrinha, bem como queda dos prêmios nos portos e foco nos embarques de soja limitam a formação do preço doméstico.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 97,00/98,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 104,00/106,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em queda, a R$ 4,91. Ontem fechou em R$4,944. (Granoeste Corretora – Camilo / Stephan).