Comentário de Mercado

SOJA – Os contratos futuros negociados com soja na CBOT voltam a operar em alta nesta quarta-feira, com ganhos, neste momento, de 13 cents, a U$ 17,10/maio. Ontem, houve ganhos de 6 cents, com suporte vindo da arrancada dos preços do petróleo e da firme demanda por soja e derivados. Ganhos em outros mercados também ajudam no sentimento positivo.
– Na esteira de toda a movimentação altista, segue, como pano de fundo, os desdobramentos de duas importantes variáveis: a quebra na América do Sul, que pode chegar a algo entre 30,0MT/35,0MT, e a guerra no leste europeu. Embora tenha pouca relevância nos países envolvidos no conflito, a formação do preço da soja acaba recebendo influência das nuances vividas nos mercados de trigo, milho, girassol e petróleo.
– A produção de soja da Rússia e Ucrânia, juntas, é de cerca de 8,5MT, com exportações de 2,5MT e importações de 1,6MT. Já, em milho e trigo, os dois países têm alta relevância. No conjunto, produzem quase 70,0MT de milho e 110,0MT de trigo, com exportações de cerca de 35,0MT de milho e 60,0MT de trigo.
– O mercado observa de perto como será o comportamento das negociações de farelo e óleo depois que o governo argentino elevou o imposto de exportação de 31% para 33% no último fim de semana. A tendência é aumento da demanda em outros países, notadamente no Brasil e nos EUA. Além disto, os produtos concorrentes como óleo de palma e de girassol, ganham força.
– Outro fator de suporte para os preços é a limitação das exportações de óleo de girassol com origem na Ucrânia, que é responsável por pelo menos três quartos do comércio internacional deste óleo, com exportações anuais próximas de 6,0MT.
– A colheita da safra brasileira avança para 80%, informa a Conab; a produção está estimada em 122,8MT, quebra de 11%. No Paraná, levantamento do Deral indica colheita de 75%, com produção de 11,6MT, quebra de 41%.
– Mercado interno segue lento, com baixo volume de negócios, refletindo a redução drástica de produção; mas, refletindo também a queda nas indicações de compra. Os preços internacionais voltam a reagir; o câmbio, porém, se mantém acomodado e pressionado, diante da intensificação do ingresso de recursos externos pela via das exportações e pela via da aplicação em títulos públicos diante do aumento da taxa Selic.
– A preocupação dos produtores segue centrada na finalização da colheita, na liquidação de contratos negociados antecipadamente e na implantação da safrinha de milho. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 160/180.
– Indicações de compra entre R$ 195,00/197,00 no oeste do estado; entre R$ 201,00/202,00 em Paranaguá e entre R$ 200,00/202,00 em Ponta Grossa – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Em razão da quebra de safra, em muitas regiões do Sul do país, as indústrias seguem indicando preços acima da paridade internacional.

MILHO – Os contratos futuros de milho na CBOT chegam ao intervalo desta manhã de quarta-feira com preços em alta entre 4 e 5 pontos, a U$ 7,57/maio. O pregão anterior encerrou com queda na posição presente e leves ganhos nas futuras.
– Devido aos problemas gerados pela guerra no leste europeu, a Ucrânia, grande exportadora grãos, está buscando canais alternativos para o escoamento de seus produtos, notadamente de milho, trigo e óleo de girassol. Os portos do Mar Negro e do Mar de Azov, que respondiam pela quase totalidade das exportações do país, estão sob domínio russo e, portanto, fora do sistema logístico ucraniano. É crescente o fluxo de mercadorias por meio de trens, caminhões e barcaças (em alguns rios navegáveis) por rotas alternativas, que passam por Moldávia, Polônia, Romênia e Hungria.
– Devido ao fraco volume de chuvas dos últimos anos, os rios Paraná e Iguaçu estão em níveis bastante baixos em trechos que cortam províncias chaves da Argentina. O Rio Paraná, está em seu pior nível em 78 anos. Por ele, barcaças levam os produtos para os principais portos do país. Todo o sistema interno de navegação está limitado. O porto de Rosário é responsável por 85% das exportações de grãos do país.
– Tradicionalmente, entre março e maio as exportações brasileiras de milho são praticamente nulas; contudo, neste ano, o line-up nos portos indica, até o momento, embarques de quase 500 mil tons neste período. A retomada de vendas externas, inclusive num momento de baixa oferta doméstica, é atribuída às altas expressivas dos preços no mercado internacional, impulsionados, ultimamente, pela guerra no leste europeu.
– De acordo com DERAL, o plantio de safrinha no PR atinge 94% no Paraná. A produção é estimada em 15,54MT, bem acima das 5,73MT produzidas na última campanha. As lavouras se encontram nos estágios: 8% em germinação, 83% em crescimento vegetativo, 9% em floração e 1% em frutificação. As condições são classificadas: 95% boas e 5% regulares.
– No mercado interno, o ritmo de negociações segue calmo, depois da arrancada de preços verificada no início de março. A retomada de exportações liderou a formação do preço doméstico naquele momento. Melhora do clima na condução da safrinha, bem como queda dos prêmios nos portos e foco nos embarques de soja limitam a formação do preço doméstico.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 98,00/100,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 104,00/106,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em leve queda, a R$ 4,90. Ontem fechou em R$4,914. (Granoeste Corretora – Camilo / Stephan).