Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja, na CBOT, chegam ao intervalo desta manhã de quinta-feira com perdas de 8 cents, a U$ 17,10/maio. Ontem houve ganhos de 22 cents, fechando, no mês presente, acima dos U$ 17,00 por bushel pela primeira vez desde setembro de 2012.
– Apesar de certo ajuste nos preços, atribuídos a vendas por parte de fundos, os preços tendem a se manter firmes em razão da firmeza da demanda que, por sua vez, está postada na acentuada quebra da safra sul-americana.
– Neste dia 31 de março, o USDA irá divulgar a primeira intenção de plantio para a temporada 2022/23. Considerando o aperto no quadro de oferta e demanda e os transtornos geopolíticos, os preços continuarão muito voláteis, navegando em patamares próximos aos recordes históricos. O comportamento do clima no Meio Oeste dos EUA será decisivo para o futuro dos preços – que estarão sensíveis a qualquer rumor sobre perda de potencial produtivo. Por esta razão, não está descartado que o mercado venha a bater novos recordes em Chicago.
– O USDA acaba de informar que as exportações norte-americanas da última semana ficaram em apenas 0,41MT. Na temporada, as vendas externas somam 54,0MT, ante 60,7MT do mesmo intervalo do ciclo passado. Os embarques totalizam 42,9MT, contra 54,3MT de igual período da estação anterior.
– As exportações brasileiras de soja devem alcançar cerca de 13,0MT neste mês de março, ante 14,9MT do mesmo mês do ano passado. A Conab prevê vendas para o exterior de 80,2MT nesta temporada, queda de 7% sobre as 86,1MT em relação ao ciclo anterior. Farelo deve totalizar 15,9MT, ante 17,2MT e óleo, 1,1MT, contra 1,7MT.
– Mercado interno segue lento, com baixo volume de negócios, refletindo a redução drástica de produção; mas, refletindo também a queda generalizada nas indicações de compra. Apesar dos ganhos dos últimos dias no mercado internacional, os preços domésticos são achatados pela valorização do Real.
– A preocupação dos produtores segue centrada na finalização da colheita, na liquidação de contratos negociados antecipadamente e na implantação da safrinha de milho. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 160/180.
– Indicações de compra entre R$ 193,00/195,00 no oeste do estado; entre R$ 196,00/198,00 em Paranaguá e entre R$ 195,00/196,00 em Ponta Grossa – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. Em razão da quebra de safra, em muitas regiões do Sul do país, as indústrias seguem indicando preços acima da paridade internacional.

MILHO – Os contratos futuros de milho na CBOT chegam ao intervalo desta manhã de quinta-feira com leves perdas, a U$ 7,54/maio. O pregão anterior encerrou com ganhos de 5 cents na posição presente.
– Devido aos transtornos logísticos que afetam os portos ucranianos (responsáveis pela quase totalidade das exportações do país), a consultoria APK-Inform reduziu as exportações totais de grãos do país para 44,0MT, queda de 29% em relação às estimativas iniciais para esta temporada. Nos sete meses anteriores à invasão russa, a Ucrânia havia exportado 80% da projeção para o trigo, 89% da cevada e 56% do milho. As novas estimativas foram reduzidas em 19% para o trigo, para 18,3MT; em 5% para a cevada, para 5,7MT e em 36% para o milho, que deve ficar abaixo de 20,0MT.
– A Europa liberou a importação de milho transgênico dos EUA. Com o aumento das fontes de prospecção, os prêmios caíram de forma acentuada no Brasil, prejudicando a formação do preço doméstico. A arrancada de preços verificada no início de março se deu pela retomada momentânea das exportações diante da alta dos preços internacionais.
– A Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu a estimativa de produção de milho do país para 49,0MT, ante 51,0 do levantamento anterior. Neste ano, a Argentina será o segundo maior exportador de milho no mundo, ocupando o lugar do Brasil que teve perdas acentuadas com as graves irregularidades climáticas.
– Segundo a AgRural, o plantio de milho safrinha no Brasil chega a 98%, ante 90% da mesma época do ano anterior. A colheita da safra de verão alcança 58%, contra 47% da temporada passada.
– A comercialização de milho safrinha em nível de Brasil está em 24,8%, ante 35,7% do mesmo período do ano anterior e 19,1% de média. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado. No Paraná, o índice chega a 12,3% (23,3% do ano anterior); em GO/DF, a 21,8% (33,2%) e no MT, a 39,7% (42,3%).
– No mercado interno, o ritmo de negociações segue calmo, depois da arrancada de preços verificada no início de março. Melhora do clima na condução da safrinha, aumento da oferta, bem como queda dos prêmios nos portos limitam a formação do preço doméstico.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 94,00/96,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 103,00/104,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em leve queda, a R$ 4,83. Ontem fechou em R$4,843. (Granoeste Corretora – Camilo / Stephan).