Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em queda de 4 a 6 cents nesta manhã de segunda-feira, a U$ 8,36/julho, em meio a rumores de que o governo chinês teria sugerido às tradings estatais que suspendam novas compras de commodities agrícolas nos EUA. As tensões entre as duas maiores economias do mundo vêm ganhando escala nas últimas semanas e prejudicando a evolução dos negócios com bens e serviços.
– Na semana passada, a CBOT registrou ganhos próximos de 1%. Desde o início do ano, no entanto, as perdas acumuladas chegam a 13%, ou cerca de 130 cents por bushel.
– Por outro lado, os prêmios nos portos brasileiros, no mercado spot, subiram entre 30 e 50 cents neste ano, neutralizando parte das perdas verificas em bolsa. Mas, o grande trunfo para a elevação dos preços domésticos foi a expressiva desvalorização do Real, que saiu de R$ 4,05 no início de 2020 para patamares acima de R$ 5,00, com pico próximo de R$ 6,00.
– O mercado segue monitorando de perto a resposta das economias à pandemia do coronavírus. O impacto sobre a demanda será inevitável. Porém, o setor de alimentos, por ser essencial e representar um valor absoluto, tende a sofrer impactos menores.
– O mercado também acompanha de perto a finalização do plantio e evolução da nova safra dos EUA, cujos dados serão atualizados pelo USDA no fim da tarde de hoje. Na semana passada, 65% (ante 26% da mesma data do ano anterior) havia sido semeado. O monitoramento do clima também passa a ser foco central.
– Internamente, os preços e os negócios se acomodaram nos últimos dias, refletindo o recente enfraquecimento do Dólar. Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 100,00/102,00 por saca; até R$ 103,00 com prazo bastante alongado.

MILHO – CBOT trabalha em baixa de 5 as 6 cents, a 3,20/julho. A CBOT acumula perdas devido ao aumento da tensão entre China e EUA e o baixo interesse global pelo produto norte-americano. A BMF opera em R$ 44,65/julho (-0,98%).
– As vendas semanais de milho norte-americano foram de apenas 0,47MT nesta última semana, ficando 52% abaixo das compras em relação à semana anterior.
– Na Argentina, a colheita de milho atingiu 61% da área cultivada de 9,1MH (53% na semana passada e 54% no mesmo período no ano anterior).
-No Brasil, as ofertas vinham escasseando e havia preocupações com geadas. Porém, o clima ajudou, as geadas foram de baixa intensidade e o início da colheita, ainda que modesto, vem pressionando os preços.
– No mercado interno, os preços vêm cedendo nos últimos dias diante da chegada de produto novo. Apesar da quebra no estado, a entrada de safra sempre é motivo de pressão, sobretudo porque os negócios vinham ocorrendo em patamares acima da paridade internacional. No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 42,50 / 44,00 por saca. Nos portos, indicações também mais comedidas com a queda do câmbio, na faixa de R$ 45,00/46,00.