Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em alta de 3 a 5 cents, a U$ 8,55/julho nesta manhã de quarta-feira, diante de compras do China nos EUA e diante do otimismo com a reabertura da economia, notadamente na Europa e na América do Norte. Bolsas ao redor do mundo tiveram ganhos; metais e energia também reagiram positivamente e, por aqui, o Real vem ganhando força frente ao dólar.
– Apesar das tensões comerciais e geopolíticas entre China e EUA, o mercado reportou novos negócios de soja norte-americana com participação de estatais chinesas. Na semana passada, após sérias críticas do governo Trump sobre a nova lei que endurece a autoridade chinesa em Hong Kong, rumores davam conta de que o governo local iria retirar todas as intenções de compra de produtos agrícolas nos EUA.
– Não há dúvidas de que a China é dependente do fornecimento de produtos alimentares dos EUA, sobretudo de soja e de carne suína. As estimativas indicam que, apesar da guerra de palavras, na última semana entre 12 e 15 cargos (cerca de 60 mil tons cada um) foram negociados entre os dois países.
– Além da drástica redução da oferta, a soja brasileira está ficando mais cara (via elevação de prêmios) do que a soja norte-americana. Isto indica que haverá escassez para o abastecimento interno e preços acima da paridade internacional no período de entressafra.
– Nestes primeiros meses do ano, cerca de 75% da soja exportada pelo Brasil foi destinada à China.
– Na segunda-feira, o USDA informou que o plantio da safra norte-americana de soja alcançava 75%, ante 36% da mesma data do ano passado e 68% de média histórica. A condição das lavouras era considerada 70% boas/excelentes; 26%, regulares e 4%, ruins e péssimas.
– No Brasil, os negócios entraram numa nova fase, de extrema lentidão. Com mais de 80% da colheita já comercializada e diante da recente queda de preços (por causa da valorização do Real), grande parcela dos vendedores está optando por aguardar, até porque tem uma longa entressafra pela frente.
– Negócios seguem apenas pontuais. No oeste do estado, indicações na faixa entre R$ 99,00/102,00 por saca, dependendo de prazos e local de embarque; no porto, entre R$ 107,00/110,00, dependendo do alongamento do prazo de pagamento.

MILHO – CBOT trabalha em baixa entre 1 e 2 cents neste momento, a 3,22/julho. Mercado é pressionado pela incerteza sobre se haverá demanda para a grande safra norte-americana, que está em fase final de plantio. A BMF opera em R$43,90/julho (-0,90%).
– Nesta segunda-feira, o USDA informou que o plantio de milho chegava a 93%, ante 64% da mesma data do ano anterior e média de 89%. As condições das lavouras eram tidas em 74% boas/excelentes, 22% regulares e 4% ruins/péssimas. Apesar de chuvas excessivas em algumas regiões, a previsão para próxima semana indica clima mais benéfico para finalização dos trabalhos de plantio.
– De acordo com o Deral, a colheita da safrinha no PR atinge 2% da área semeada de 2,254MH (1% a mais frente à temporada anterior, de 2,233MH). As condições são consideradas: 42% boas, 40% médias e 18% ruins. Em relação ao estágio: 2% estão em crescimento vegetativo, 26% em floração, 57% em frutificação e 15% em maturação.
– No mercado interno, os preços seguem mais frouxos em face da chegada de produto novo. Apesar da quebra no estado, sempre existe o impacto da entrada de safra, notadamente porque os negócios vinham ocorrendo em patamares acima da paridade internacional.
– O mercado também especula sobre a redução do alojamento de aves e suínos, que pode oscilar entre 10% e 15% e implicar em certa queda no consumo de rações. No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 42,50 / 44,00 por saca. Nos portos, indicações também mais comedidas com a queda do câmbio, na faixa de R$ 44,50,00/45,50.
– CÂMBIO – Opera em nova baixa, na faixa de R$ 5,16. Ontem fechou em R$ 5,213. (Granoeste – Camilo / Stephan).