Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em ligeira queda nesta manhã de terça-feira, a U$ 8,74/julho. Apesar de certa queda na qualidade das lavouras norte-americanas, os preços seguem sob pressão diante da cautela dos investidores frente às perspectivas incertas da economia mundial.
– Com 96% já realizado, o plantio da safra de soja dos EUA está praticamente concluído. Na mesma data do ano passado o índice era de 83% e, na média histórica, de 93% (USDA). Cinco por cento das áreas entraram em floração, ante 1% do ano passado e 5% de média.
– Quanto à qualidade, de acordo com levantamento do USDA, 70% das áreas são consideradas boas/excelentes, queda de dois pontos percentuais em relação à semana anterior, mas muito à frente dos 54% da mesma época do ano passado. Somente 5% estão ranqueadas como ruins/péssimas, ante 10% de um ano atrás.
– Até aqui as condições climáticas foram favoráveis para o plantio, germinação e primeira fase de desenvolvimento. Há, no entanto, um longo caminho pela frente, que deverá ser percorrido pelas fases críticas para a determinação da produtividade: floração e formação de vagens e grãos, se estendendo até o início de setembro.
– Quatro de julho, feriado da independência nos EUA, costuma dar início ao período mais crítico de evolução das lavouras. O comportamento climático pode mudar muito a partir desta data que, de modo geral, marca a chegada das semanas mais quentes do verão. Em alguns anos, o chamado “mercado climático” promoveu muita vitalidade dos preços na CBOT.
– As exportações brasileiras de soja chegam a 56,1MT nesta temporada, ante 42,1MT do mesmo período do ano passado. Nesta temporada, o Brasil vem batendo seguidos recordes mensais de embarques, com 14,2MT em abril; 15,5MT em maio e deverá ultrapassar 12MT neste mês de junho.
– No mercado interno, a valorização do Real vem pressionando a formação do preço nesta semana. Os prêmios seguem na faixa de 120 / 130 sobre Chicago. No oeste do estado, indicações de compra entre R$ 104,00/106,00, dependendo de local de embarque e prazo de pagamento; em Paranaguá entre R$ 113,00 / 114,00.

MILHO – CBOT trabalha em baixa de 3 a 4 cents nesta manhã, a U$ 3,25/julho, em meio à grande disponibilidade do produto e à falta de concretização das expectativas de compras por parte de empresas chinesas.
– Além de certa frustração nas expectativas de compras chinesas, o mercado vê alguma melhora das lavouras nos campos de cultivo dos EUA. As áreas tidas como boas/excelentes subiram um ponto em relação à semana passada, indo para 72%, contra 56% do topo visto no ano anterior. Na condição regular está 23% e na ruim/muito ruim, 5%.
– O USDA informou ter inspecionado o embarque de 1,3MT, ante 0,92MT da semana anterior e 0,61MT da mesma semana do ano passado. Desde o início da temporada (1 de setembro 2019), os embarques somam 32MT, queda acentuada em comparação com o mesmo intervalo da temporada anterior, cujos embarques se situavam em 41,5MT.
-No mercado interno, compradores recuados na espera por ofertas mais acessíveis oriundas da safrinha e dólar mais fraco dão o tom mais calmo para este início de semana.
– Com as primeiras colheitas em andamento, o mercado brasileiro de milho segue calmo e volta a ficar melhor abastecido. As preocupações com produtividade seguem como foco central, especialmente em estados atingidos pela estiagem, como o Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Apesar de perdas, os relatos indicam produto de boa qualidade. No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 43,00 / 44,00 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 48,00/49,00 por saca.
– CÂMBIO – Opera em nova e acentuada queda neste momento, cotado na faixa de R$ 5,18. Ontem, fechou em R$ 5,268. (Granoeste – Camilo / Stephan).