Comentário de Mercado

SOJA – Chicago volta a operar em alta, de 6 a 8 cents, a U$ 8,86/agosto, nesta manhã de quarta-feira, dando sequência aos excepcionais ganhos (cerca de 2%) observados na sessão anterior, quando o USDA divulgou relatório reduzindo a área de plantio de soja e, principalmente, a área de milho.
– De acordo com o governo, a área semeada com soja será menor do que a prevista nas avaliações iniciais. Em levantamento apresentado nesta terça-feira, o USDA estima que o plantio ficará em 33,91 milhões hectares, quando o mercado esperava algo como 34,3MH. Em março, na primeira intenção de plantio, esperava-se 33,8MH.
– No ano passado foram semeados 30,8MT, diante de graves problemas climáticos. O recorde histórico pertence à temporada 2017/18, com 36,5MH plantados com soja.
– Os estoques trimestrais dos EUA, com base em 1º de junho, vieram em linha com o esperado, com 37,72MT; porém, há um corte de 22% sobre as 48,7MT existentes em 1º de junho do ano passado.
– O mercado ganha um novo e sólido fundamento para sustentação dos preços. Depois das perdas de mais de 20% na colheita anterior e redução dos estoques, os consumidores esperam o retorno a uma safra cheia para manter a normalidade do abastecimento e os preços sob controle.
– Daqui para frente, ganha ainda mais importância o comportamento climático no Meio Oeste norte-americano, uma vez que, com a redução de área, os preços estarão mais sensíveis e mais voláteis diante de qualquer ameaça que ponha em risco os bons índices de produtividade percebidos até agora.
– No mercado interno, os preços ganharam mais impulso, desta vez por uma combinação positiva pela alta dos preços internacionais e pela valorização do dólar. Por outro lado, os prêmios nos portos brasileiros sofreram alguma pressão, caindo entre 5 e 10 cents, negociados entre 112 e 125 cents sobre Chicago.
– No oeste do estado, indicações de compra entre R$ 109,00/111,00, dependendo de local de embarque e prazo de pagamento; em Paranaguá, entre R$ 115,00 / 118,00, com prazos mais alongados.

MILHO – CBOT trabalha em alta de 6 a 8 pontos nesta manhã, a U$ 3,48/setembro, sustentada pela redução de área de plantio de milho nos EUA. Ontem os ganhos foram superiores a 3%. A BMF opera em 48,62 (+0,27%) /julho.
– A área plantada de milho nos EUA é projetada 37,23MH, sendo 3% acima do percentual do ano passado, mas 5% abaixo da primeira intenção de plantio de março, que era de 39,25MH. O mercado esperava algo como 38,5MH.
– Os estoques trimestrais de milho norte-americano, em 1º de junho, foram avaliados em 132,69MT, ficando acima da expectativa do mercado, que esperava 126,75MT. No trimestre anterior, o volume era de 202,0MT.
– A previsão para os estoques finais norte-americanos, em 31 de agosto deste ano, é de 53,42MT.
– Diante do corte de área, tudo o que o mercado espera é o bom andamento do clima para manter em alta os índices de produtividade. De acordo com o USDA, as lavouras de milho consideradas boas/excelentes somam 73%, aumento de um ponto percentual em relação à semana anterior. Na mesma semana de 2019, este índice era de 56%. Quatro por cento entraram na fase de floração.
– De acordo com a consultoria Safras& Mercado, na região Centro-sul a colheita da safrinha chega a 11,5%, contra 21,8% do ano passado e 13,2% de média. A área semeada é de 13,4MH, contra 12,25MH de 2019.
– A colheita da safrinha do PR avançou para 5% da área plantada, de 2,25MH – informa o Deral. As condições das lavouras são: boas/excelentes (44%), médias (40%) e ruins (16%). As lavouras de se dividem entre as fases de floração (1%), frutificação (48%) e maturação (51%).
– Mesmo com o aumento da oferta de safrinha, no mercado interno os preços encontram boa sustentação nos atuais patamares, com base nas seguintes motivações: quebra de safra, sobretudo em estados como PR, MS e SP; desvalorização do Real e alta dos preços internacionais, que melhoram o cálculo para exportação; melhor remuneração com a venda da soja e expectativa favorável quanto à demanda doméstica. Num cenário como este, o produtor prefere adotar uma postura mais defensiva, aguardando por preços mais remuneradores.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 44,00 / 45,00 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 49,00/50,50 por saca.
CÂMBIO – Opera em baixa nesta manhã, a U$ 5,40. Ontem fechou em R$ 5,436. (Granoeste – Camilo / Stephan).