Comentário de Mercado

Soja – Chicago volta a operar em (leve) alta, a U$ 8,92/agosto, dando sequência aos ganhos iniciados com a divulgação, na última terça-feira, de que a área de plantio nos EUA será menor do que previsto anteriormente. De lá para cá, a alta chega a 3,5% e coloca o mercado num novo patamar, no ponto mais elevado dos últimos quatro meses.
– Amanhã será feriado nos EUA, em observação ao Dia da Independência. Haverá, portanto, um feriado prolongado, o que alimenta ainda mais as expectativas para a próxima semana. É comum que 4 de julho (dia da independência) seja um ponto de inversão do mercado, como resultado de duas variáveis importantes: relatórios de estoques e de plantio e projeções do clima para os meses do verão.
– Com menor área, os preços ficaram mais sensíveis em relação a possíveis transtornos climáticos daqui para frente. Julho e agosto, auge do verão, são os meses cruciais para a determinação da produtividade das lavouras.
– É bem provável que, hoje, os investidores, notadamente fundos de commodities, se posicionem comprados para aguardar o desenrolar da próxima semana (em face dos fundamentos altistas). Boletins climáticos indicam a prevalência de calor e ausência de chuvas em extensas áreas de cultivo para os próximos dias.
– As Exportações norte-americanas de soja seguem lentas e mal chegam 45,0MT nesta temporada, ante 48,4Mt do mesmo período do ano passado. Os embarques alcançam 37,3MT, ante 37,8MT do mesmo intervalo de 2019.
– Já, as exportações brasileiras de soja fecharam junho com 13,75MT, um novo recorde para o mês. Em junho do ano passado, o embarque chegou a 9,07MT. Nesta temporada, o volume exportado alcança 60,2MT, ante 45,1MT do mesmo período do ano passado. O recorde mensal de todos os tempos foi alcançado no último mês de maio, com 15,5MT. Dados da Secex.
– Internamente, apesar dos sólidos ganhos externos, câmbio e prêmios fizeram o caminho oposto. Com isto, os preços internos receberam alguma pressão; porém, se mantêm firmes em torno dos melhores patamares nominais da história. Indicações de compra no oeste do estado na faixa de R$ 107,00/109,00, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento e, em Paranaguá, entre R$ entre R$ 114,00/116,00 por saca.

MILHO – CBOT trabalha em baixa de 1 a 2 pontos nesta manhã, a U$ 3,48/setembro, após dois dias de fortes ganhos, sustentados pelo corte da área de plantio. A BMF opera em 47,04 (+0,41%) /setembro.
– Além da redução de área, as previsões são de clima desfavorável para o Meio-Oeste norte-americano para os próximos dias. Nas últimas sessões, o milho recuperou tudo que havia perdido em várias semanas. Neste momento, porém, investidores procuram vender posições adquiridas nestes dias, num movimento conhecido como “tomada de lucro”.
– As vendas semanais de milho norte-americano ficaram em 0,36MT, ante 0,26MT da semana anterior. Desde 1º de setembro de 2019, as vendas de milho totalizam 42,31MT. Os embarques da semana ficaram em 1,44MT, ante 1,31MT da semana anterior e, no acumulado da temporada 2019/20, chegam a 33,88MT.
– De acordo com a Secex, as exportações brasileiras de milho somaram 0,348MT em junho. Em comparação com junho de 2019, houve baixa de 75%. Nesta estação, os embarques para o exterior chegam a apenas 1,22MT, ante 5,5MT do mesmo período do ano passado. As exportações devem ganhar ritmo a partir de mês de julho e se intensificar entre agosto e novembro podendo totalizar, na estação, algo entre 32,0/35,0MT.
– Mesmo com o aumento da oferta de safrinha, no mercado interno os preços se mantêm firmes e encontram boa sustentação com base nas seguintes motivações: quebra de safra, sobretudo em estados como PR, MS e SP; desvalorização do Real e alta dos preços internacionais, que melhoram o cálculo para exportação; melhor remuneração com a venda da soja e expectativa favorável quanto à demanda doméstica. Num cenário como este, o produtor prefere adotar uma postura mais defensiva, aguardando por preços mais remuneradores.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 44,00 / 45,50 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 49,50/50,50 por saca.
CÂMBIO – Opera praticamente estável nesta manhã, a U$ 5,31. Ontem fechou em R$ 5,318. (Granoeste – Camilo / Stephan).