Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em forte alta, de 10 a 12 cents, a 9,01/agosto, nesta manhã de segunda-feira, em meio a previsões de clima quente e seco para extensas área de cultivo dos EUA. As lavouras estão entrando na fase de floração e formação de vagens, período mais crítico para a determinação da produtividade.
– Depois que o levantamento do USDA mostrou uma expressiva redução do plantio de milho e de soja nos EUA, o mercado ganhou mais sensibilidade e está sujeito a muita volatilidade até fins de agosto.
– Apesar de certo recuo no último pregão, na semana passada os ganhos foram da ordem de 4%, chegando ao melhor patamar em quatro meses na CBOT.
– Os reflexos negativos causados pela pandemia seguem como pano de fundo. O comportamento climático no Meio Oeste, porém, ganha a dianteira e será o principal vetor dos preços pelos próximos 60 dias.
– No fim da tarde de hoje o USDA irá divulgar uma nova atualização sobre a qualidade das lavouras dos EUA. Espera-se redução de 1 a 2 pontos na categoria bom/excelente.
– Levantamento da consultoria Safras & Mercado informa que 92,9% da safra brasileira, 2019/20, já foi comercializada, ante 71,1% da mesma época do ano passado. A colheita está estimada em 124,6MT.
– A comercialização também está acelerada para a próxima estação. O levantamento mostra que 39,8% já foi negociado, contra 14,7% da mesma data do ano anterior e média histórica de 12,4%.
– Este acelerado ritmo se deve, basicamente, aos excepcionais preços promovidos pela alta inesperada do dólar. Prêmios firmes e preferência chinesa pela soja brasileira também entram nesta conta. Haverá muita disputa pelos lotes remanescentes até o fim da temporada.
– Os preços internos se mantêm firmes, em torno dos melhores patamares nominais da história. Prêmios estão cotados entre 100/115. Indicações de compra no oeste do estado na faixa de R$ 108,00/110,00, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento e, em Paranaguá, entre R$ entre R$ 115,00/117,00 por saca.

MILHO – CBOT trabalha em alta de 3 a 5 pontos nesta manhã, a U$ 3,48/setembro diante das previsões de clima quente e seco para a região produtora dos EUA. No último pregão da semana passada os preços registraram perdas de até 7 cents em face de vendas técnicas. Os ganhos na semana anterior, no entanto, foram superiores a 7%, notadamente como reflexo da redução do plantio nos EUA. A BMF opera a 47,00 (+0,38%) /setembro.
– Mercado volta suas atenções para o clima da safra norte americana e também para o relatório mensal de oferta e demanda (WASDE) que será divulgado ainda nesta semana.
– De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o line-up de navios, programação de embarques nos portos brasileiros, indica que, em julho, o volume a ser exportado com milho poderá alcançar 4,97MT. No total, de fevereiro a junho os embarques somam apenas 1,22MT, mas tende a ganhar forte ritmo a partir deste mês.
– O mercado interno segue com preços bem sustentados. Há diversas razões para isto: quebra de safra, sobretudo em estados como PR, MS e SP; alongamento do ciclo das plantas e atraso da colheita com o retorno de temperaturas mais baixas e aumento da umidade; desvalorização do Real e alta dos preços internacionais, que melhoram o cálculo para exportação; melhor remuneração com a venda da soja; expectativa favorável quanto à demanda doméstica e ambiente mais favorável para aumento de área de soja e redução da área de milho no próximo verão. Num cenário como este, o produtor prefere adotar uma postura mais defensiva, aguardando por preços mais remuneradores.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 45,00 / 46,50 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 49,50/51,00 por saca.

CÂMBIO – Opera em queda nesta manhã, a U$ 5,30. Sexta, fechou em R$ 5,324. (Granoeste – Camilo / Stephan).