Comentário de Mercado

SOJA – A Bolsa de Chicago opera em leve queda de 3 a 4 cents nesta manhã de terça-feira, a U$ 8,96/agosto em meio a uma movimentação técnica de vendas, depois dos bons ganhos verificados nas últimas sessões. Desde o último dia 30, os preços subiram cerca de 2,5%; as perdas no ano, porém, se acumulam em 8%.
– Num panorama geral, tudo indica que o mercado vive um momento claramente positivo diante da redução da área de plantio nos EUA e da perspectiva de aumento da demanda chinesa pelo produto norte-americano.
– As boas condições das lavouras norte-americanas também ajudam a dar certo alívio e a conter os preços nesta jornada. De acordo com o USDA, 71% das áreas seguem em boas/excelentes condições; 24%, regulares e apenas 5%, ruins/péssimas. O mercado esperava algum recuo na qualidade, mas os índices permanecem os mesmos da semana anterior. Na mesma semana do ano passado, os percentuais eram, respectivamente, 53%, 35% e 12%.
– Por outro lado, as projeções continuam indicando clima quente e seco para os próximos dias, justamente agora que as lavouras entram no período reprodutivo e, portanto, mais suscetíveis a perdas.
– Quanto ao estágio, 31% das áreas já entraram em floração, ante 8% de um ano atrás e 24% de média; 2% estão na fase de formação de vagens, contra 1% da mesma data de 2019 e 4% de média histórica.
– Nesta temporada, a comercialização da safra brasileira apresentou o ritmo mais acelerado da história e, segundo a consultoria Safras & Mercado, já alcança cerca de 93%, ante 71,1% da mesma época do ano passado.
– Os preços internos seguem firmes, no patamar recorde de todos os tempos, sustentados notadamente pela taxa cambial. Prêmios estão cotados entre 100/120. Indicações de compra no oeste do estado na faixa de R$ 109,00/111,00, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento e, em Paranaguá, entre R$ entre R$ 115,00/117,00 por saca.

MILHO – CBOT trabalha em baixa de 3 a 5 pontos nesta manhã, a U$ 3,42/setembro. Após ganhos na sessão de ontem, os investidores buscam realização de lucros. Apesar disto, do último dia 30 para cá, os ganhos superam 5%; porém, desde o início de janeiro, as perdas ainda são altas e chegam a 14%.
-De acordo com USDA, as lavouras norte-americanas de milho estão nas seguintes condições: boas/excelentes 71%; médias, 23% e ruins/muito ruins, 6%. Houve piora de dois pontos na qualidade das lavouras em relação à semana anterior em que os dados eram: bom/excelente 73%, regulares 22% e ruins 5%. Na mesma semana do ano passado os índices eram, pela mesma ordem, 57%, 31% e 12%.
-O USDA divulgou ontem exportações de milho norte-americano, sendo 0,2MT para a China e 0,18MT para o México.
-De acordo com Safras & Mercado, até a última sexta-feira, a colheita da safrinha chegou a 20,1% (de uma área total de 13,4MH), ante 33,4% da mesma época do ano passado. No Mato Grosso, 36,5%; Mato Grosso do Sul, 12,3%; Goiás, 9,2%; Paraná, 6,1% e São Paulo, 2,7%.
-Ainda, de acordo com Safras & Mercado, a comercialização da safrinha está mais acelerada do que na temporada anterior e chega a 49,5%, contra 44,4% da mesma data de 2019.
– O mercado interno segue com preços bem sustentados. Há diversas razões para isto: quebra de safra, sobretudo em estados como PR, MS e SP; alongamento do ciclo das plantas e atraso da colheita com o retorno de temperaturas mais baixas e aumento da umidade; desvalorização do Real e alta dos preços internacionais, que melhoram o cálculo para exportação; melhor remuneração com a venda da soja; expectativa favorável quanto à demanda doméstica e ambiente mais favorável para aumento de área de soja e redução da área de milho no próximo verão. Num cenário como este, o produtor prefere adotar uma postura mais defensiva, aguardando por preços mais remuneradores.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 45,00 / 46,50 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 50,00/51,00 por saca.

CÂMBIO – Opera em alta nesta manhã, a U$ 5,38. Ontem, fechou em R$ 5,352. (Granoeste – Camilo / Stephan).