Comentário de Mercado

SOJA – A CBOT trabalha com perdas entre 2 e 4 cents, a U$ 8,94/agosto, nesta manhã de quarta-feira, dando sequência ao momento de vendas iniciado na jornada anterior. A boa qualidade das lavouras e certa melhora nas previsões climáticas contribuem para dar o tom desta sessão.
– O mercado também busca posicionar-se para o relatório de oferta e demanda de julho, que será apresentado pelo USDA nesta sexta-feira. Os investidores esperam um ligeiro aumento da estimativa de produção, para algo como 113,4MT, ante 112,3MT do mês anterior / com área de 33,91MH. Os estoques norte-americanos e mundiais também tendem a ficar mais robustos.
– De acordo com o USDA, 71% das lavouras seguem em boas/excelentes condições, ante apenas 53% de um ano atrás. Trinta e um por cento das áreas já entraram em floração, contra 8% de um ano atrás e 24% de média histórica.
– As exportações brasileiras de soja somam, neste início de mês, 1,94MT. Nesta temporada, iniciada em fevereiro, o volume chega a 62,1MT, ante 46,5MT do mesmo intervalo da estação passada. A meta deste ano prevê exportações de 85MT.
– Em novo levantamento, a Conab avaliou a safra brasileira deste ano em 120,9MT, aumento de 5,1% sobre 115,0MT do ciclo anterior. A área semeada ficou em 35,87MH, acréscimo de 3% sobre o ano prévio.
– Os preços internos seguem firmes, oscilando nos arredores dos melhores patamares da história, sustentados notadamente pela taxa cambial. Prêmios estão cotados entre 100/115. Indicações de compra no oeste do estado na faixa de R$ 108,00/110,00, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento e, em Paranaguá, entre R$ entre R$ 115,00/116,00 por saca.

MILHO – CBOT trabalha em baixa de 1 a 3 pontos nesta manhã, a U$ 3,42/setembro, em sequência às leves perdas observadas no pregão de ontem. As previsões climáticas indicam que, nos campos do Meio Oeste, o período de tempo quente e seco será menos longo e menos severo do que se previa, de acordo com a agência Reuters. A BMF opera em 47,70 (-0,15%)/ setembro.
– Os investidores também buscam se posicionar para o relatório mensal de oferta e demanda (WASDE). Isto justificaria certa pressão de vendas e realização lucros.
– As avaliações de consultores indicam que a produção norte-americana de milho, para a temporada 2020/21, deverá cair para algo como 382,5MT, ante 406,3MT de junho. Apesar de aumento da produtividade, a queda da colheita se deve à redução da área semeada na ordem de 5%, ficando em 37,23MH, ante 39,25MH, que eram estimados no início do plantio, em março.
– Com corte na produção, os estoques de passagem da temporada 2020/21 estão previstos em queda, para algo como 69,3MT, ante 84,4MT previstos no mês passado e 58,0MT estimados ao final de 2019/20. Já, os estoques mundiais são esperados em alta para a estação 2019/20, em 315,7MT, ante 312,9MT do mês passado e em queda para 2020/21, em 325,6MT, ante 337,9MT de junho.
– Para o Brasil, os analistas estimam a produção de 2019/20 em 100,8MT e, para a Argentina, em 49,9MT.
– Nesta temporada, iniciada em fevereiro, as exportações de milho brasileiro chegam a apenas 1,51MT. Porém, os embarques devem ganhar força a partir deste mês. O line-up de navios nos portos indica que haverá embarques na ordem de 5,2MT durante julho.
– O mercado interno segue com preços bem sustentados. Há diversas razões para isto: quebra de safra, sobretudo em estados como PR, MS e SP; alongamento do ciclo das plantas e atraso da colheita com o retorno de temperaturas mais baixas e aumento da umidade; desvalorização do Real e alta dos preços internacionais, que melhoram o cálculo para exportação; melhor remuneração com a venda da soja; expectativa favorável quanto à demanda doméstica e ambiente mais favorável para aumento de área de soja e redução da área de milho no próximo verão. Num cenário como este, o produtor prefere adotar uma postura mais defensiva, aguardando por preços mais remuneradores.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 45,00 / 46,50 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 50,00/51,00 por saca.

CÂMBIO – Opera em queda nesta manhã, a U$ 5,35. Ontem, fechou em R$ 5,386. (Granoeste – Camilo / Stephan).