Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em alta de 8 a 10 cents, a U$ 9,02/agosto, buscando recuperar-se das perdas apuradas nas últimas duas sessões. Bons volumes de exportações norte-americanas na última semana, posicionamento dos investidores frente ao relatório de oferta e demanda e retomada da economia em muitos países centrais são fatores que contribuem para a formação positiva dos preços.
– Por outro lado, as previsões climáticas indicam mudança para a ocorrência de melhores volumes de chuvas em extensas áreas de cultivo nos próximos dias. Há, porém, um longo caminho pela frente e muitas nuances climáticas poderão dar asas aos preços até a determinação final da produtividade.
– O USDA acaba de informar que as exportações de soja dos EUA na última semana somaram 0,92MT (mais 0,38MT para 2020/21). Na temporada, iniciada em primeiro de setembro, o volume total vendido para o exterior chega a 46,0MT, contra 48,5MT do mesmo período do ciclo passado. Os embarques totalizam 37,8MT, ante 38,5MT do mesmo intervalo da estação anterior.
– Em relação ao relatório de oferta e demanda de julho, que será apresentado pelo USDA nesta sexta-feira, o mercado espera um ligeiro aumento da estimativa de produção, para algo como 113,4MT, ante 112,3MT do mês anterior. O plantio deverá ficar em 33,91MH, área que consta do último levantamento, divulgado em 30 de junho. Os estoques norte-americanos e mundiais também tendem a ser majorados.
– A Conab estima a produção brasileira deste ano em 120,9MT, ante 115,0MT do ciclo anterior. A área semeada ficou em 35,87MH. A comercialização, conforme levantamento da consultoria Safras & Mercado, chega a 93% no ritmo mais acelerado da história (71% da mesma época do ano passado). Para a temporada 2020/21, o percentual já negociado chega a 40%.
– O intenso ritmo da comercialização provocou engarrafamento nos portos brasileiros, com atrasos em embarques e transtornos logísticos de toda a ordem. Até a primeira semana de julho, o Brasil havia despachado para o exterior, também num ritmo recorde, 62,1MT de soja, ante 46,5MT do mesmo período do ano passado.
– Os preços internos seguem firmes, oscilando nos melhores patamares da história, sustentados essencialmente pela taxa cambial. Prêmios, bem postados, estão cotados entre 100/115. Indicações de compra no oeste do estado na faixa de R$ 109,00/111,00, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento e, em Paranaguá, entre R$ entre R$ 116,00/118,00 por saca.

MILHO – CBOT trabalha em alta de 6 a 7 pontos nesta manhã, a U$ 3,53/setembro, devido às boas exportações norte-americanas e ao posicionamento dos traders diante do relatório mensal de oferta e demanda, que será publicado amanhã.
– Apesar dos preços em alta na CBOT, o clima, que vinha bastante desfavorável nos EUA, parece dar um alento, pelo menos nos próximos dez dias. Há previsão de boas chuvas, notadamente em regiões que realmente precisam de reposição hídrica.
– O USDA acaba de informar que as exportações de milho somaram, na última semana, 0,6MT (mais 0,41MT para 2020/21). Na temporada, as vendas externas chegam a 42,9MT, ante 49,4MT do mesmo período do ano passado. Os embarques chegam a 35,0MT, contra 44,0MT do mesmo intervalo do ciclo anterior.
– Em relação ao relatório de oferta e demanda, as avaliações de consultores indicam que a produção norte-americana de milho, para a temporada 2020/21, deverá cair para algo como 382,5MT, ante 406,3MT de junho. Apesar de aumento da produtividade, a queda da colheita se deve à redução da área semeada na ordem de 5%, ficando em 37,23MH, ante 39,25MH, que eram estimados no início do plantio, em março.
– Com corte na produção, os estoques de passagem da temporada 2020/21 estão previstos em queda, para algo como 69,3MT, ante 84,4MT previstos no mês passado e 58,0MT estimados ao final de 2019/20. Já, os estoques mundiais são esperados em queda para 2020/21, em 325,6MT, ante 337,9MT de junho, porém, em alta para a estação 2019/20, em 315,7MT, ante 312,9MT do mês passado.
– Para o Brasil, os analistas estimam a produção de 2019/20 em 100,8MT e, para a Argentina, em 49,9MT.
– O mercado interno segue com preços bem sustentados e postados em certa quebra de safra, na desvalorização do Real, na alta dos preços internacionais, na expectativa favorável quanto à demanda doméstica e na possibilidade de redução de área de milho na próxima safra de verão.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 45,00 / 46,50 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 50,00/51,00 por saca.

CÂMBIO – Opera em queda nesta manhã, na faixa de U$ 5,32. Ontem, fechou em R$ 5,351. (Granoeste – Camilo / Stephan).