Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em queda de 5 a 7 cents, a U$ 8,82/agosto, nesta manhã de segunda-feira. Depois de muita especulação sobre um período alongado de estiagem, o mercado é pressionado por chuvas em extensas áreas de cultivo dos EUA. O acirramento das disputas entre EUA e China também é negativo para os preços.
– As lavouras estão na fase mais crítica de sua evolução (floração, formação de vagens e, logo mais, formação de grãos) quando umidade do solo é decisiva para determinar os índices de produtividade. No fim da tarde de hoje, o USDA irá divulgar um novo levantamento sobre a qualidade e o estágio das lavouras.
– O relatório de oferta e demanda de julho, apresentado pelo USDA na última sexta-feira, não trouxe maiores novidades. A produção de soja dos EUA teve ligeiro aumento sobre o mês anterior, em sintonia com a nova estimativa de área. O governo prevê a colheita em 112,5MT, ante 112,3 em junho e 96,7 da safra passada. Os estoques finais, para 2020/21, são esperados em 11,6MT, ante 10,8MT de junho e 16,9MT do ciclo anterior.
– A produção mundial é estimada, para a temporada 2020/21, em 362,5MT, contra 337,1MT do ciclo anterior e, os estoques finais, em 95,1MT, ante 99,7MT.
– Para o Brasil, o USDA estima a produção da próxima estação em 131,0MT, contra 126,0MT obtidos na última colheita. Para o próximo ano, as exportações estão estimadas em 83,0MT, ante 89,0MT desta temporada e 74,6MT do último ciclo.
– Investidores e participantes deste mercado seguem atentos nos seguintes pontos: a) evolução e persistência da pandemia, que gera incertezas sobre o futuro das economias; b) evolução e comportamento do clima no Meio Oeste dos EUA pelos próximos dois meses; c) retorno de tensões mais agudas entre as duas maiores economias do mundo.
– Além dos desdobramentos da pandemia de coronavírus, no mercado interno o fator mais importante é a condução do governo, bem como a administração de focos de crise que geram incertezas sobre a estabilidade do governo e sobre a aprovação de reformas. Ao determinar o futuro da economia e o ingresso de moeda forte, as incertezas domésticas têm implicações diretas na formação da taxa de câmbio e, portanto, na formação do preço soja no Brasil (que, aliás, tem tido o maior peso na formação do preço ao longo do primeiro semestre deste ano).
– Negociações entraram em lentidão, depois de um primeiro semestre com ritmo extremamente acelerado. Primeiras indicações de compra no oeste do estado na faixa entre R$ 108,00/110,00, dependendo de localização e de prazo de pagamento; em Paranaguá, na faixa entre R$ 115,00/117,00.

MILHO – CBOT trabalha em queda de 5 a 7 pontos nesta manhã, a U$ 3,31/setembro. O mercado estende as perdas em razão de boas chuvas no Corn Belt, afastando os temores que rondavam o desenvolvimento das lavouras; soma-se a isto a fala de Donald Trump, que voltou a aumentar as tensões com a China. A BMF opera em R$ 46,90 (-1,90%) /setembro.
– No relatório mensal de oferta e demanda (WASDE), o USDA cortou drasticamente a estimativa de produção norte-americana de milho, caindo de 406,29MT para 381,02MT. Apesar da magnitude do corte, a nova projeção está em linha com a última estimativa de área, que indicou um plantio cerca de 5% abaixo das previsões de fins de março. Além disto, o bom clima nos EUA faz com que o mercado ignore esta projeção e foque no bom andamento da safra.
– O relatório também trouxe diminuição dos estoques finais dos EUA, caindo de 84,41MT para 67,26MT. Apesar dos cortes na produção e nos estoques, os números ainda são bastante confortáveis do ponto de vista do abastecimento.
– A produção mundial é projetada em 1.163,21MT, ante 1.188,5MT do mês anterior. Os estoques finais mundiais também ficam abaixo da previsão anterior, em 315,04MT, ante 337,87MT de junho.
– A produção brasileira para 2020/21 foi mantida em 107,0MT, com exportações na ordem de 38,0MT. Já, na vizinha Argentina a produção ficou em 50,0MT e as exportações projetadas em 34,0MT. Para este ano, a produção brasileira está prevista pelo USDA em 101,0MT, com exportações de 34,0MT.
– A colheita no MT atinge 61,1%, de acordo com o IMEA, contra 76,2% da mesma época do ano passado. O MT é o estado com maior índice de colheita; os demais estados continuam bastante atrasados.
– O mercado interno segue com preços bem sustentados e postados em certa quebra de safra, na desvalorização do Real, na alta dos preços internacionais, na expectativa favorável quanto à demanda doméstica e na possibilidade de redução de área de milho na próxima safra de verão.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 45,50 / 46,50 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 50,00/51,00 por saca.

CÂMBIO – Opera em alta nesta manhã, na faixa de U$ 5,37. Na Sexta-feira, fechou em R$ 5,323. (Granoeste – Camilo / Stephan).