Comentário de Mercado

SOJA – Chicago volta a registrar ganhos nesta manhã de quarta-feira (alta de 2 a 4 cents, a U$ 8,81/agosto). A perda de qualidade das lavouras norte-americanas acaba dando suporte, se contrapondo ao momento de pressão vivido logo após a divulgação do relatório de oferta e demanda, na última sexta-feira.
– De acordo com o USDA, as áreas de soja consideradas boas/excelentes perderam três pontos percentuais na semana passada, somando 68%. De qualquer maneira, o quadro é ainda muito melhor do que os 54% da mesma data do ano passado. Quarenta e oito por cento entrou em floração, ante 19% de um ano atrás; 11% está em formação de vagens, contra 3% do ano anterior.
– Apesar dos recorrentes atritos entre EUA e China, a tendência é que as tradings chinesas aumentem a presença em terras norte-americanas diante da redução da oferta brasileira e argentina e diante do aumento do esmagamento do país asiático. A nova estimativa do USDA para este ano prevê que a China irá importar 96,0MT, ante 94,0MT estimados no mês passado e 82,5MT na temporada anterior.
– As exportações brasileiras de soja somam 3,92MT nas duas primeiras semanas de julho. Na temporada, iniciada em fevereiro, o volume chega a 64,1MT, ante 48,3MT do mesmo período do ano passado. O USDA elevou as exportações brasileiras para 89,0MT, ante 85,0MT previstas no mês passado (dados da SECEX e USDA).
– Com o ritmo recorde de exportações no primeiro semestre, em muitas regiões começa a faltar produto para abastecimento das indústrias. O óleo, por ter uma demanda duplicada (consumo humano e biodiesel) é o subproduto que torna mais visível a disputa pelos lotes remanescentes.
– O volume de negócios segue baixo; o mercado entrou em lentidão, com operações apenas pontuais. Com forte participação da instabilidade do Real, os preços seguem rondando os níveis nominais mais altos da história. Em algumas regiões já é possível observar preços internos se destacando da paridade internacional, fenômeno que deve se acentuar até o pico da entressafra. Indicações no oeste do estado na faixa entre R$ 108,00/109,00, dependendo de localização e de prazo de pagamento; em Paranaguá, na faixa entre R$ 116,00/117,00.

MILHO – CBOT trabalha em leve baixa nesta manhã, a U$ 3,24/setembro. A BMF opera em R$ 46,98 (+0,38%) /setembro.
– Os sinais do mercado são mistos. De um lado, acirra-se aas tensões entre EUA e China, em meio à abundante oferta de milho norte-americana. De outro, o mercado segue atento em relação ao aumento consistente da demanda chinesa pelo milho americano; além disto, o USDA apontou certa piora na condição das lavouras. Entre fatores positivos e negativos, se observa certo equilíbrio das forças do mercado.
– Com rumores de que a China teria comprado 1,76MT de milho nesta terça-feira, no acumulado da semana até o momento, as exportações podem ultrapassar os 3,0MT. O relatório semanal será divulgado amanhã. Este é o quarto maior volume diário na história das exportações de milho dos EUA. Apesar de o acordo comercial entre os dois países prever que haja negociações em grandes volumes, esta operação acabou causando surpresas.
– As previsões indicam temperaturas bastante baixas para os próximos dias em extensas áreas do Meio Oeste, elevando novamente os temores quanto aos impactos negativos sobre as lavouras.
– O line-up nos portos brasileiros, indica um volume de embarques de milho da ordem de 5,4MT em julho. Desse total, 1,6MT já foram embarcadas.
– A colheita da safrinha segue lenta, sobretudo nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. O mercado interno se coloca em compasso de espera, aguardando pela entrada mais densa de produto novo. De qualquer maneira, os preços seguem postados em certa quebra de safra, na desvalorização do Real, na alta dos preços internacionais, na expectativa favorável quanto à demanda doméstica e na possibilidade de redução de área de milho na próxima safra de verão.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 45,00 / 46,00 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 48,50/49,50 por saca.

– CÂMBIO – Opera em baixa neste momento, na faixa de U$ 5,31. Ontem, fechou em R$ 5,348. (Granoeste – Camilo / Stephan).