Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em baixa de 1 a 2 cents, a U$ 8,95/agosto, em meio ao aumento das tensões entre China e EUA. Ontem houve perdas de 6 cents.
– O governo norte-americano anunciou o fechamento do consulado chinês na cidade de Houston, no Texas, sob a alegação de que hackers estariam tentando roubar dados estratégicos dos EUA, principalmente pesquisas sobre uma vacina para combater o coronavírus.
– As lavouras norte-americanas seguem com bom desenvolvimento. De acordo com o USDA, 69% estão em boas/excelentes condições, um ponto acima da semana passada; 24%, regulares e apenas 7% são consideradas ruins/péssimas. Na mesma semana do ano passado, os índices eram, respectivamente, 54%, 34% e 12%.
– Quanto ao estágio, 64% das áreas entraram em floração, ante 35% de um ano atrás; 25% está em formação de vagens, contra 6% da mesma data de 2019.
– Três temas permanecem recorrentes para a definição dos preços internacionais: a) desenvolvimento das lavouras norte-americanas; b) jogo geopolítico e comercial entre as duas maiores economias do mundo e c) controle da pandemia de coronavírus e, consequentemente, retomada da economia.
– No Brasil, a combinação negativa entre queda das indicações de compra e escassez de produto vem deixando o mercado praticamente sem negócios. Os produtores que ainda detêm lotes remanescentes não se mostram dispostos a ceder em suas indicações de venda, travando o ritmo de negócios.
– Preços internos começam a se impor sobre os preços de exportação e, em alguns casos, passam a ser definidos pela demanda mais regionalizada. Os prêmios nos portos se mantêm firmes, na faixa entre 120/135. No oeste do estado, indicações de compra na faixa de R$ 105,00/108,00; em Paranaguá, entre R$ 112,00/114,00.

MILHO – CBOT trabalha em alta de 1 a 2 cents nesta manhã, a U$ 3,24/setembro. Ganhos são limitados pelo aumento das tensões entre EUA e China. Além disto, as perspectivas climáticas são favoráveis para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, sobretudo porque o mercado aguardava certa deterioração ao longo da última semana. A BMF opera em R$ 47,16/setembro (-0,46%). Ontem houve perdas de 5 cents.
– As exportações brasileiras de milho devem totalizar 5,4MT em de julho, de acordo com o line-up dos portos. Com o avanço da colheita, os embarques tendem a ganhar forte ritmo nos meses seguintes.
– De acordo com o Deral, a área colhida da safrinha no Paraná atinge 17%. As condições das lavouras são: Boas (45%), médias (38%) e ruins (17%) e se dividem entre as fases de frutificação (22%) e maturação (78%). O plantio ficou em 2,25MH, aumento de 1% em comparação ao ano anterior.
– De maneira geral, mesmo com a queda da taxa cambial e intensificação da colheita, a tendência é que os preços internos sofram pouca pressão e se mantenham acima da paridade de exportação nos estados mais ao sul da região produtora – notadamente no Paraná e no Mato Grosso, que são mais devotados ao abastecimento doméstico. Diversas razões concorrem para isto: certa quebra de safra, expectativa favorável quanto à demanda interna, boa capitalização dos produtores e possibilidade de redução de área de milho na próxima safra de verão.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 44,50 / 45,50 por saca para produto disponível. Nos portos, indicações na faixa de R$ 48,00/49,50 por saca.
– CÂMBIO – Opera em nova queda, neste momento, na faixa de U$ 5,14, diante das melhores perspectivas para avanço de reformas no Congresso Nacional e diante do otimismo em relação à descoberta de vacinas contra o coronavírus. Ontem fechou em R$ 5,211. (Granoeste – Camilo / Stephan).