Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera estável, a U$ 8,70/setembro, nesta manhã de terça-feira. Mesmo diante da intensificação da demanda pelo produto norte-americano, os preços estão acomodados com a boa evolução das lavouras nos campos do Meio Oeste e com a perspectiva de safra cheia.
– Em levantamento divulgado no fim da tarde de ontem, o USDA indicou melhora de um ponto na qualidade das lavouras dos EUA. Setenta e quatro por cento das áreas são consideradas boas/excelentes, ante 73% da semana passada; 21% são ranqueadas como regulares, mesmo índice de sete dias atrás e apenas 5% são consideradas ruins/péssimas, contra 6% de uma semana. Há um ano, os índices eram, respectivamente, 54%, 33% e 13%.
– O Index, cujo valor 100 denota evolução normal das lavouras, está em 106, ante 105 da semana passada e 97 de um ano atrás.
– O mercado também busca posicionar-se frente ao relatório de oferta e demanda de agosto, que será apresentado nesta quarta-feira. Consultores ouvidos por agências de notícias esperam aumento da produção para algo como 116,4MT, ante 112,5MT previstos pelo USDA no mês passado. Em consequência, os estoques tendem a ser ajustados positivamente.
– A Secex informa que, na primeira semana de agosto, as exportações brasileiras de soja somaram 1,59MT, elevando o total da estação para 72,1MT. No mesmo período do ano passado o volume chegava a 54,5MT. A meta deste ano prevê embarques entre 85MT e 88MT, ante 77,9 MT do ciclo passado.
– Internamente, o mercado segue firme e mantém a tendência para toda a longa entressafra, que está apenas no começo. O cenário é de escassez para abastecimento do segmento industrial, diante dos grandes volumes e do ritmo recorde das exportações. Além do aumento do consumo de farelos para atender à produção de carnes, o mercado se depara com a demanda por óleos vegetais para a produção de biodiesel, cuja adição obrigatória no diesel é de 12%.
– Nos portos, os prêmios giram na faixa 170/185. Indicações de compra no oeste do estado ao redor de R$ 120,00 e, em Paranaguá, entre R$ 123,00/125,00.

MILHO – CBOT opera em ligeira alta nesta manhã de terça-feira, a U$ 3,12/setembro. Mercado sobe devido à leve piora nas condições da safra norte-americana e também por vendas acima das expectativas dos analistas. A BMF opera em R$ 54,80 (+0,09%)/ Setembro.
– No Relatório de progresso de safra, divulgado pelo USDA no fim da tarde de ontem, houve queda de um ponto percentual na qualidade das lavouras, contrariando as expectativas do mercado. A categoria bom/excelente conta com 71%, ante 72% da semana passada e 57% de um ano atrás; as áreas consideradas regulares se mantêm em 21%, ante 30% de 2019 e as lavouras classificadas como ruins/péssimas somam 8%, ante 7% da semana anterior e 13% da mesma data do ano passado.
– O USDA informa ter inspecionado o embarque de 1,15MT de milho na última semana, quando o mercado esperava algo como 0,9MT. No acumulado da temporada, iniciada 1º de setembro, o volume chega a 39,13MT, contra 45,65MT do mesmo intervalo do ano prévio.
– De acordo com a Secex, as exportações de milho brasileiro foram de 2,0MT nesta primeira semana de agosto. No acumulado da temporada o volume chega a 7,2MT contra 14,6MT de igual período no ciclo anterior.
– A colheita de safrinha anda em bom ritmo em todo território nacional, chegando a 72,2%. No Mato Grosso, 95,6%; em Goiás, 74,2%; no Mato Grosso do Sul, 49,7%; no Paraná, 46,8%; em Minas Gerais, 39% e em São Paulo, 37,5%. As informações são da consultoria Safras & Mercados.
– Internamente, as indicações de preço se mantêm firmes, mesmo com avanço da colheita e com mais produto nos armazéns. Os produtores seguem retraídos diante de certa quebra da safra e das boas perspectivas de preço até o final do ano. Os preços internacionais, sobretudo com a ajuda do câmbio e da forte alta dos prêmios, também se tornam atrativos e promovem certo piso para as cotações.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 49,00 / 49,50 por saca para produto disponível. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 54,00/55,00 por saca.
CÂMBIO – A taxa de câmbio voltou a se firmar ao longo da última semana, se posicionando acima do patamar de R$ 5,40, postada na nova redução das taxas de juros e na desconfiança sobre a capacidade do governo de controlar o endividamento público. Neste momento opera em ligeira baixa, a U$ 5,43. Ontem fechou em R$ 5,468. (Granoeste – Camilo / Stephan)