Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera estável, a U$ 8,71/setembro, nesta manhã de quarta-feira. Uma vez posicionado, os investidores aguardam a divulgação do relatório de oferta e demanda de agosto, programado para o início da tarde.
– Consultores ouvidos por agências de notícias esperam um sólido aumento da produção dos EUA, para algo como 116,4MT, cerca de 4,0Mt acima da projeção feita pelo USDA em julho. A Expectativa é de produtividade recorde, alcançando mais de 57 sacas por hectare. Em consequência, espera-se aumento dos estoques finais.
– Além da evolução da safra, o mercado segue monitorando a boa demanda pelo produto dos EUA e a perspectiva de retomada das economias diante do avanço das pesquisas para a descoberta de vacinas contra a pandemia.
– Até a primeira semana de agosto, exportações brasileiras somam72,1MT nesta temporada, iniciada em fevereiro. Deste montante, a China foi responsável pela aquisição de cerca de 51,0MT – informa levantamento da Secex.
– De acordo com a Conab, nesta última safra a produção brasileira de soja alcançou 120,9MT, aumento de 5,1% sobre as 115,0MT do ciclo anterior. A área semeada ficou em 36,95 milhões de hectares, acréscimo de 3% sobre os 35,87MH semeados na estação prévia.
– Internamente, o mercado segue firme, se deslocando acima da paridade internacional, guiado por uma combinação altista como raramente se vê. Este conjunto de fatores é formado por: a) escassez de produto no mercado interno, diante dos grandes volumes já exportados; b) retração dos produtores que ainda contam com lotes remanescentes; c) necessidade da indústria doméstica em razão da boa demanda por farelos para a produção de carnes e aumento do consumo de óleos vegetais para a produção de biodiesel ante a adição obrigatória de 12% no diesel; d) necessidade de aumento das importações que podem chegar a 1,0MT, ante menos de 0,3MT de anos anteriores; e) entressafra antecipada, o que indica um logo caminho até a normalização do abastecimento e d) sustentação de variáveis primárias da formação do preço, como câmbio e prêmios que, além de promover um piso para o preço doméstico, acabam tornando o cálculo de importação igualmente elevado.
– Nos portos, os prêmios giram na faixa 170/185. Indicações de compra no oeste do estado ao redor de R$ 120,00/122,00 e, em Paranaguá, entre R$ 122,00/124,00.

MILHO – CBOT opera estável nesta manhã de quarta-feira, a U$ 3,11/setembro. Os sinais são mistos. De um lado, houve certa piora nas condições do milho norte-americano, somado com possibilidades de perdas ocasionada por ventos fortes em pontos do Meio Oeste. Por outro lado, o mercado aguarda algum aumento de produção no relatório de oferta e demanda, que será divulgado pelo USDA, hoje, no início da tarde. A BMF opera em R$ 55,80 (+0,78%)/ Setembro.
– A expectativa para o relatório de logo mais (WASDE) é de aumento na produtividade do milho, passando de 186,7SC/Ha do mês anterior para 188,6SC/Há. Com isto, a produção total do país, na visão de consultores, deve alcançar 385,2MT ante 381,0MT do relatório de julho. Os estoques finais norte-americanos são esperados em alta, passando de 67,3MT para 71,0MT. Os estoques finais mundiais também são esperados com aumento, indo de 315,0MT do relatório de julho para 320,4MT.
– Em Iowa (maior estado produtor de milho dos EUA), rajadas de ventos de até 150 km/hr atingiram as plantações, danificando grandes áreas de milho. Ainda é cedo para afirmar, mas já existem avaliações preliminares dizendo que as perdas podem chegar a algo como 10MT.
– Argentina e China estão negociando um acordo de exportação de carne de porco. Este acordo já vinha sendo discutido, porém, está atrasado por causa da pandemia. O projeto requer investimentos na Argentina da ordem de 3,5 bilhões de dólares, com consumo anual de 3,5MT de milho para produção de aproximadamente 900 mil tons de carne suína.
– De acordo com o Deral, a colheita da safrinha de milho do PR alcança 51%. As condições das lavouras ainda no campo, são: 45% boas; 39%, médias e 16%, ruins. 12% se encontram na fase de frutificação e 88% em maturação.
– Internamente, as indicações de preço se mantêm firmes. Porém, começa a se desenhar certa queda de braço, com as integrações se recusando a aumentar as indicações de compra. Mesmo assim, de maneira geral, se percebe uma acentuada retração dos produtores em face das perdas no campo e das boas perspectivas de preço até o final do ano. Os preços internacionais, sobretudo com a ajuda do câmbio e da forte alta dos prêmios, também se tornam atrativos e promovem certo piso para as cotações.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 49,00 / 49,50 por saca para produto disponível. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 54,00/55,00 por saca.
CÂMBIO – Opera estável neste momento, a U$ 5,41. Ontem fechou em R$ 5,416. (Granoeste – Camilo / Stephan).