Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em nova e expressiva alta, entre 9 e 11 cents, a U$ 8,91/set. Ontem os ganhos foram de 10 cents. O mercado vive um novo momento de alta, mesmo com a perspectiva de forte aumento da safra dos EUA. Os investidores, porém, estão preferindo focar no consumo, que também tem projeção de aumentos expressivos, deixando os estoques mundiais sob pressão.
– Além disto, os participantes estão atentos à crescente demanda pelo produto norte-americano e no comportamento do clima nesta fase crítica de evolução das lavouras dos EUA.
– De acordo com o relatório de oferta e demanda de agosto, a produção dos EUA está avaliada em 120,4MT, aumento de 8,0MT em relação ao mês passado. Os estoques finais dos EUA, ao término da temporada 2020/21, têm ajuste positivo de cerca de 5,0Mt, para 16,59MT. Enquanto isto, os estoques finais de 2019/20 permanecem no mesmo patamar, em 16,73MT.
– Em razão do aumento do consumo, os estoques finais mundiais ficaram abaixo do esperado. Para a atual temporada, 2019/20, estão avaliados em 95,85MT, ante 99,67MT estimados em julho e 112,96MT do último ciclo. Para a estação 2020/21 estão avaliados em 95,36MT.
– A China tem suas importações aumentadas e beiram os 100,0MT, diante da rápida recomposição dos plantéis de suínos. Para esta temporada, a previsão é que a China importe 98,0MT, contra 96,0MT previstas em julho e 82,5MT do ano passado. Para 2020/21, o USDA estima que as importações chinesas cheguem a 99,0MT, ante 96,0MT do mês anterior.
– Para o Brasil, o USDA segue prevendo produção de 126,0MT para este ano e 131,0MT para o próximo. As exportações dão um salto e chegam a 93,5MT neste ciclo, aumento de 4,5MT em relação a julho. No ano passado foram 74,6MT. Para 2021, a previsão é de exportações de 84,0MT, ante previsão de 83,0MT no mês anterior.
– Internamente, o mercado segue firme, se deslocando da paridade internacional, guiado por uma combinação de fatores positivos, tais como: escassez de produto, necessidade da indústria doméstica em razão da boa demanda por farelos e óleos, entressafra antecipada e sustentação das variáveis primárias que formam o preço, como câmbio, prêmios e CBOT.
– Nos portos, os prêmios giram na faixa 175/190. Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 122,00/124,00 e, em Paranaguá, entre R$ 124,00/127,00.

MILHO – CBOT opera em forte alta, de 6 a 7 cents, a U$ 3,21/setembro, nesta manhã de quinta-feira. O mercado é guiado pelo forte ritmo da demanda global e pelas inquietações sobre o clima, sobretudo depois que fortes rajadas de vento atingiram extensas áreas de cultivo do Meio Oeste, causando deterioração das lavouras. A BMF opera em R$ 56,42 (+0,25%)/ Setembro.
– O relatório mensal de oferta e demanda (WASDE) trouxe aumento na produtividade do milho norte-americano, elevando para 190,18SC/Ha, ante 186,73SC/Ha do report de julho e 175,12SC/Ha do ano passado. Dessa forma, a perspectiva de produção também aumentou, sendo estimada em 388,08MT, contra 381,0MT do mês anterior e 345,0MT de 2019.
– Em razão do aumento da produção, os estoques finais norte-americanos também estão previstos em alta, passando de 67,26MT em julho para 70,0MT em agosto. No ano anterior os estoques eram de 56,59MT.
– No Brasil, a produção de milho para safra 2020/21 é projetada, pelo USDA, em 107,0MT, ante 101,0MT estimados para a safra atual. As exportações brasileiras nesta temporada são previstas em 34,0MT e, para a safra seguinte, em 38,0MT.
– Apesar da perspectiva de aumento da produtividade, produção e estoques (que, inclusive, ficaram acima do esperado), os investidores se colocaram na ponta compradora, dando sustentação ao mercado. Os participantes estarão0 focados no comportamento do clima nesta reta final de evolução das lavouras.
– De acordo com a agência Reuters, a China elevou as perspectivas de consumo de milho diante do crescimento rápido do rebanho suínos. Para 2020/21, a demanda local de milho para a produção de rações teve alta de 2,3% em relação à previsão do mês passado, para 183,0MT.
– Internamente, as indicações de preço se mantêm firmes. Porém, começa a se desenhar certa queda de braço, com as integrações se recusando a aumentar as indicações de compra. Mesmo assim, de maneira geral, se percebe uma acentuada retração dos produtores em face das perdas no campo e das boas perspectivas de preço até o final do ano. Os preços internacionais, sobretudo com a ajuda do câmbio e da forte alta dos prêmios, também se tornam atrativos e promovem certo piso para as cotações.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 49,00 / 50,00 por saca para produto disponível. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 54,00/56,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em baixa neste momento, a U$ 5,40. Ontem fechou em R$ 5,448. (Granoeste – Camilo / Stephan).