Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em alta de 7 a 9 cents, a U$ 9,05/setembro, nesta manhã de segunda-feira. Apesar do aumento da estimativa de produção feita pelo USDA no relatório de agosto, o mercado se depara com adversidades climáticas que caminham no sentido oposto e tendem a limitar a produtividade média final. Na semana passada os ganhos foram superiores a 3,5%.
– Levantamentos preliminares indicam que a tempestade que atingiu o estado de Iowa no início da semana passada pode ter devastado uma área superior a 5,0 milhões de hectares e não apenas algo como 4,0MH, como indicado logo após o episódio.
– Outro fator é a crescente demanda pelo produto dos EUA, sobretudo por parte da China. Nesta temporada, as exportações dos EUA chegam a 47,5MT, quase o mesmo volume de igual período do ano anterior.
– Mas o que chama a atenção são os volumes já comprometidos com exportações para a próxima temporada, que começa em primeiro de setembro. De acordo com o USDA, 17,98MT já foram vendidas para o exterior; isto representa 320% a mais do que no mesmo período do ano passado.
– No primeiro semestre deste ano, a China esgotou os estoques no Brasil e, no segundo, fará uma boa coleta dos estoques norte-americanos. Mês a mês, com a retomada da criação de suínos pelos chineses, o USDA vem reavaliando o apetite do gigante asiático. Em agosto, houve novo aumento das estimativas de importações de soja, avaliadas agora em 98,0MT, ante 96,0MT de agosto e 82,5MT do ano passado. Para a próxima temporada são 99,0MT, 3,0MT a mais do que o volume previsto em julho.
– Internamente, o mercado segue firme, se deslocando da paridade internacional, guiado por uma combinação de fatores positivos, como: escassez de produto, necessidade da indústria doméstica em razão da boa demanda por farelos e óleos, entressafra antecipada e sustentação das variáveis primárias que formam o preço, como câmbio, prêmios e CBOT.
– Nos portos, os prêmios giram na faixa 175/190. Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 123,00/125,00 e, em Paranaguá, entre R$ 126,00/130,00.

MILHO – CBOT opera em alta, de 3 a 5 cents, a U$ 3,28/setembro, nesta manhã de segunda-feira. O mercado opera em alta diante dos estragos causados pelas fortes rajadas de vento que atingiram não apenas 4,0 milhões de hectares como se acreditava, mas cerca de 5,5MH no estado de Iowa e mais cerca de 9,0MH em estados vizinhos. Na semana passada os ganhos foram da ordem de 6%. A BMF opera em R$ 58,85 (+0,77%)/ Setembro.
– De acordo com o USDA, as vendas de milho norte-americano, na temporada 2019/20, chegam a 44,2MT (12% a menos do que o mesmo intervalo na temporada passada). Porém, as vendas para a próxima estação, 2020/21, já somam 11,48MT (167% superior em relação ao mesmo período do ano passado), indicando a forte demanda global pelo produto.
– O Line-up dos portos brasileiros indica previsão de embarque de 7,3MT de milho em agosto. A previsão para este ano indica vendas externas de cerca de 35,0MT.
– De acordo com Safras & Mercados, a colheita da safrinha brasileira chega a 80,6%, ante 96,9% da mesma época do ano passado e média de 86,1%. A colheita atinge 98% no Mato Grosso; 86,1% em Goiás; 65,6% no Mato Grosso do Sul; 57,8% no Paraná; 55,4% em Minas Gerais e 46,3% em São Paulo.
– Internamente, as indicações de preço se mantêm firmes. Porém, começa a se desenhar certa queda de braço, com as integrações se recusando a aumentar as indicações de compra. Mesmo assim, de maneira geral, se percebe uma acentuada retração dos produtores em face das perdas no campo e das boas perspectivas de preço até o final do ano. Os preços internacionais, sobretudo com a ajuda do câmbio e da forte alta dos prêmios, também se tornam atrativos e promovem certo piso para as cotações.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 49,50 / 50,00 por saca para produto disponível. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 55,00/56,00 por saca.
CÂMBIO – Opera estável neste momento. Na sexta-feira fechou em R$ 5,431. (Granoeste – Camilo / Stephan).