Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em alta de 4 a 6 cents, a U$9,06/setembro, nesta manhã de segunda-feira, em meio a relatos de perda de potencial produtivo das lavouras norte-americanas e aumento da demanda. Entre ganhos e perdas, a semana passada fechou praticamente estável; porém, os preços ainda são 7% menores do que no início do ano.
– A safra de soja dos EUA deverá totalizar 118,7MT, com produtividade de 58,8 scs/ha. A projeção foi feita pelos participantes do crop Tour, organizado pela Profarmer, que percorreu diversos estados centrais de produção ao longo de toda a semana passada. Iowa é o estado mais preocupante em termos de produção, notadamente por causa das tempestades do início de agosto que prejudicaram cerca de cinco milhões de hectares de lavouras.
– A estimativa do crop tour ficou abaixo da última previsão do USDA, que é de 120,4MT e produtividade de 59,7scs/ha. Mas é bom lembrar que, em julho, o USDA projetava a colheita em apenas 112,5MT. Portanto, apesar de transtornos localizados, os números da Profarmer confirmam que os EUA caminham para colher uma safra robusta.
– De qualquer forma, todas as atenções se voltam para os campos do Meio Oeste nesta reta final e fase mais crítica de evolução das lavouras. Meteorologistas observam que, em alguns estados, há bolsões com baixa umidade do solo, que pode perdurar por toda esta semana.
– O mercado também segue monitorando a intensificação das compras chinesas nos EUA. Com o enxugamento da oferta na América do Sul, os EUA passam a ser o foco de origem para abastecimento do crescente consumo da China.
– No mercado doméstico, os preços seguem firmes, postados na escassez de oferta, depois do ritmo histórico de vendas para o exterior. São verificados negócios apenas pontuais, com definição de preço pela demanda local, voltada para o suprimento interno de farelo e óleo. Além da destinação para consumo humano, o óleo está sendo usado de forma crescente na produção de biodiesel. Cresce a expectativa pela importação de pelo menos 1,2MT de soja neste ano – que seria o maior volume desde 2003.
– Além da demanda da indústria, prêmios em alta (na faixa de 175/190) e câmbio continuam promovendo suporte para os preços. Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 128,00/130,00 e, em Paranaguá, entre R$ 132,00/135,00.

MILHO – CBOT opera em alta de 2 a 3 cents, a U$ 3,30/setembro, nesta manhã de segunda-feira, em meio à perspectiva de menor produtividade das lavouras norte-americanas devido às complicações climáticas das últimas semanas. A BMF opera em R$ 60,85 (+0,70%)/setembro.
– As avaliações finais do Crop Tour constataram que a produtividade média do país será menor do que estimado pelo USDA no último levantamento de oferta e demanda do início de agosto.
– De acordo com a Profarmer, a safra de milho deverá resultar em 376,5MT, com produtividade de 185,7 scs/ha. O USDA previa, em agosto, colheita de 388,1MT, com produtividade de 190,2 scs.ha.
– Além de produtividade menor, o suporte vem do consumo em alta. Na semana passada os EUA registraram bons volumes de venda para o exterior, mostrando que a demanda global pelo cereal está aquecida.
– O line-up nos portos brasileiros indica um volume de 6,9MT de exportação de milho em agosto. No acumulado de fevereiro a setembro, a projeção é de 15,9MT.
– No mercado interno, as indicações de preço se mantêm firmes. O produtor segue retraído em face das perdas por irregularidades climáticas e diante das boas perspectivas de mercado até o final do ano. Os preços internacionais, sobretudo com a ajuda do câmbio e da forte alta dos prêmios, se tornaram ainda mais atrativos e promovem certo piso para as cotações.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 52,50 / 54,00 por saca. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 58,00/59,50 por saca.
CÂMBIO – opera em leve baixa nesta manhã, na faixa de R$ 5,59. Na sexta-feira fechou em R$ 5,608. (Granoeste – Camilo / Stephan).