Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja voltam a operar no vermelho nesta manhã de terça-feira e chegam ao intervalo com perdas de 17 cents, a U$ 16,46/maio. Ontem houve perdas de 46 pontos. Os investidores buscam ajustar suas carteiras para dois importantes relatórios que serão divulgados pelo USDA nesta quinta-feira.
– Depois de testar níveis de alta com base nas acentuadas perdas na América do Sul e se aproximar do recorde histórico vivido em 2012, o mercado experimenta um momento de pressão. Diversos fatores concorrem para isto:
a) Perspectiva de aumento na área de soja dos EUA para algo como 36,0MH, aumento de 2% sobre o ano passado. O levantamento será divulgado nesta quinta-feira pelo USDA.
b) Previsão de forte elevação dos estoques do início deste trimestre. O mercado espera que o USDA aponte estoques norte-americanos para primeiro de março em 51,5MT, ante 42,5MT de primeiro de março do ano passado. Com 9,0MT a mais nos estoques de meio da estação, sempre existe a possibilidade de revisão para cima dos estoques finais.
c) Lentidão dos embarques norte-americanos. O USDA informou que, até agora, foram despachadas 43,4MT, ante 54,3MT do mesmo período da temporada passada. Com a quebra da safra sul-americana esperava-se um expressivo aumento da demanda nos portos dos EUA.
d) expectativa de redução da demanda chinesa. O lockdown a Xangai elevou ainda mais este temor. Nos últimos relatórios de oferta e demanda, o USDA vem considerando esta possibilidade ao cortar as estimativas de importações da China para este ano para 94,0MT, uma conta que já esteve acima de 100,0MT.
– Esta soma de fatores coloca ainda mais peso sobre a importância da nova safra dos EUA. Repetindo o que já foi dito: os preços estarão altamente sensíveis às nuances climáticas que, em última instância, irão definir a produção nos campos do Meio Oeste.
– A Abiove reduziu a estimativa de colheita da safra brasileira de soja para 125,3MT, corte de 10,5MT em relação à projeção anterior e quase 20,0MT no comparativo com as expectativas iniciais. A produção do ano passado ficou em 138,8MT, recorde histórico. As exportações estão previstas em 77,7MT, ante 86,1MT do ciclo passado. O esmagamento está projetado em 48,0MT. A produção de farelo está avaliada em 36,7MT, com exportações de 18,3MT e consumo interno de 18,1MT. A produção de óleo deve ficar em 7,9MT, com exportações de 1,7MT.
– Os preços domésticos seguem em queda, com pressão vinda de todas as frentes: cotações internacionais, câmbio e prêmios. O volume de negócios voltou a ficar restrito. As atenções, porém, seguem voltadas para a finalização da colheita, liquidação de contratos negociados antecipadamente e término do plantio da safrinha de milho.
– Indicações de compra entre R$ 181,00/182,00 no oeste do estado; entre R$ 188,00/190,00 em Paranaguá – dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque. No mercado spot, os prêmios são indicados entre 140/170. Em razão da quebra de safra, em muitas regiões do Sul do país, as indústrias seguem indicando preços acima da paridade internacional.

MILHO – Os contratos futuros de milho negociados na CBOT operam com perdas de 25 cents, a U$ 7,23/maio, nesta manhã de terça-feira. O pregão anterior encerrou com queda de 5 cents na posição presente. As perdas são atribuídas à retomada das negociações entre Rússia e Ucrânia, que podem levar a um cessar fogo e ao lockdown em Xangai. Pesam também na formação do preço, o posicionamento dos investidores frente aos relatórios de intenção de plantio e de estoques trimestrais que serão divulgados pelo USDA neste dia 31.
– Segundo analistas ouvidos por agências de notícias, o plantio de milho nos EUA deve ficar em 37,2MH, ante 37,8MH do ano passado, queda de 1,6%. A área de soja deve subir numa proporção similar. A dificuldade de obtenção de fertilizantes e outros insumos pode resultar em alterações mais expressivas nas áreas das duas culturas.
– O plantio de primavera foi iniciado na maioria das províncias da Ucrânia, duas semanas mais cedo comparativamente ao ano passado, graças ao clima favorável. O foco que em outros anos era em milho e produtos destinados à exportação, neste ano é voltado para a alimentação da população, como ervilhas, cevada e trigo. Os trabalhos de campo estão começando pelas áreas livres da invasão russa.
– De acordo com a Bolsa de Mercadorias de Rosário, a Argentina bateu recorde na exportação de milho na temporada 2020/21, com 40,9MT. Na estação 2019/20, que era o recorde anterior, foram exportados 36,0MT, que representou 55% acima da temporada 2018/19. Para este ano, o volume a ser exportado deve voltar a cair, notadamente por causa dos transtornos climáticos e, consequente, quebra de safra.
– No mercado interno, com certo aumento da oferta e queda dos preços e prêmios internacionais, as indicações de compra cederam de forma acentuada. A melhora do clima na condução da safrinha, além do aumento de lotes vindo a mercado, limitam a formação do preço doméstico. A quedas dos prêmios é atribuída à decisão da Europa de liberar a importação de milho transgênico dos EUA.
– Indicações de compra na faixa entre R$ 85,00/87,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 90,00/92,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Dólar opera em baixa, a R$ 4,75. Ontem fechou em R$4,774 (Granoeste Corretora – Camilo / Stephan).